Um dia depois de nova ordem de prisão, Justiça volta a conceder liberdade a um dos PMs suspeitos de execuções no Andaraí

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RIO - A Justiça do Rio concedeu, nesta sexta-feira, liberdade para o policial militar Bernardo Costa Azevedo. Ele é um dos cinco agentes investigados pela execução de dois suspeitos no Andaraí, na Zona Norte do Rio, na semana passada. A decisão é mais um capítulo no vai-e-vem de determinações judiciais envolvendo o caso. Na véspera, os cinco PMs haviam tido a prisão decretada pela segunda vez, já que na primeira, quando foram autuados em flagrante, não chegaram a passar sequer 24 horas na cadeia.

Para o desembargador Celso Silva Filho, responsável pela decisão desta sexta-feira, "não se pode afirmar" que o cabo Costa Azevedo ofereça "qualquer risco À ordem pública ou à instrução criminal". Assim, segundo o magistrado, não há razão "que justifique a manutenção da prisão preventiva do acusado, sendo certo que eleapresenta residência fixa, documento de identidade e comprova ter trabalho fixo".

Além do PM que acaba de obter novamente liberdade, também são acusados pelo crime os cabos Anderson Ricardo da Silva Giubini, Thiago Lira da Rocha e Jonathan Silva da Visitação, bem como o soldado Marlon Henrique Souza Antunes. Até o momento, não há informações sobre decisões semelhantes envolvendo os outros agentes envolvidos no caso. Os cinco integravam o mesmo Grupamento Tático de Polícia Pacificadora (GTPP), unidade operacional da UPP do Andaraí.

Os PMs foram presos pela primeira vez no dia dos homicídios, no último dia 17, ao prestarem depoimento na Delegacia de Homicídios (DH) e relatarem terem sido atacados por criminosos armados na trilha da Rua Borda do Mato, enquanto patrulhavam a região. Segundo os agentes, houve tiroteio e dois homens morreram a caminho do Hospital Federal do Andaraí, para onde foram levados. Na ocorrência, outros três suspeitos foram presos. Com os homens, os agentes afirmaram ter apreendido drogas, uma metralhadora calibre 9mm, uma pistola calibre .40, três radiotransmissores e um colete balístico.

No entanto, após a ocorrência ter sido apresentada, fotos dos homens algemados e ainda vivos começaram a circular pelas redes sociais. Numa das imagens, é possível ver um deles, Carlos Alberto Vidal, com as mãos para trás, entrelaçadas nas mãos de outros dois homens. Após prestarem depoimentos, os agentes foram presos.

Além de Vidal, também foi morto Anderson da Silva de Jesus. Os presos na ação são Fabrício do Nascimento Geraldino, David Rodrigues de Jesus de Souza e um adolescente. Em depoimento na DH, o adolescente afirmou que os homens dormiam numa cabana numa área de mata da favela quando foram surpreendidos pelos PMs.

Segundo esse relato, os agentes renderam todo o grupo "sem efetuar nenhum tiro". Em seguida, os homens teriam sido levados para um outro acampamento, mais para dentro na mata, onde seus dois comparsas teriam sido mortos. O adolescente afirmou ter ouvido cinco tiros depois que os dois separados dos demais e levados pelos PMs.

Por fim, os presos teriam sido obrigados a carregar os corpos dos mortos: "Um dos policiais militares disse que se eles não carregassem os corpos, iam morrer também", afirmou o adolescente. De acordo com ele, um dos dois comparsas "aparentava estar morto".

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