Um em cada cinco brasileiros mora em habitação precária, como casas de madeira ou sem banheiro

Raphaela Ribas
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Foto: Custódio Coimbra
Foto: Custódio Coimbra

Casas sem banheiro, construídas com restos de madeira ou sem documento que comprove a posse ou propriedade. Habitações com mais de três pessoas dormindo no mesmo quarto ou nas quais as famílias gastavam mais de 30% da renda com aluguel. É assim que 21,3% dos brasileiros vivem, segundo a Síntese dos Indicadores Sociais, divulgada hoje pelo IBGE.

Isso significa que, em 2019, quando os dados foram coletados, 45,3 milhões de pessoas no país moravam em habitações com alguma precariedade ou insegurança. Entre a população pobre, com rendimento mensal inferior a R$ 436, a situação piora e chega a quase metade (43,2%).

De todos os problemas, a falta de documentação que comprove a aquisição do imóvel é o principal problema para ambos os grupos. Este é o primeiro ano que a pesquisa investiga a ausência de documentos entre as inadequações domiciliares, que teve o maior percentual entre todos esses entraves, de 21,4% na população mais pobre e de 11,5% nos demais.

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O país hoje tem um déficit habitacional de 7,8 milhões de residências e ainda muitos desafios, como o acesso aos serviços de abastecimento de água por rede geral, esgotamento sanitário por rede coletora e coleta domiciliar de lixo.

Estes problemas se arrastam há anos e afetam principalmente os mais pobres. A expectativa do governo é que, com a aprovação do novo marco legal do saneamento, parte destes reveses seja resolvido a partir da entrada da iniciativa privada no setor. isso agilizaria o cumprimento de metas de universalização em serviços de água e esgoto.

O analista do IBGE, Bruno Perez, diz que a Síntese não traz detalhes quanto ao local das moradias pesquisadas que tiveram alguma (ou mais) destas inadequações, mas explica que, de forma geral, elas são mais comuns em áreas onde a população está na linha de pobreza e na região Nordeste.

O estudo revela ainda que a situação precária é mais comum nass residências onde vivem pretos e pardos (26,5%) do que nas de brancos (15%). Em todos os tópicos, à exceção do ônus excessivo com aluguel (comprometimento acima de 30% da renda), todos os outros apresentaram diferença significativas. No caso da documentação, é o dobro na comparação racial.

— Isso revela que a população negra e parda, em geral, vive em domicílios com condições piores de moradia do que a população branca. Em parte, esta diferença está relacionada à distribuição geográfica onde residem e em parte à condição monetária — afirmou Perez.

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