Um milhão de estudantes, entre eles 16 mil brasileiros, correm risco de ser mandados embora dos EUA

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Foto: Chip Somodevilla/Getty Images
Foto: Chip Somodevilla/Getty Images

Com a nova regra anunciada nesta segunda-feira pelo governo do presidente Donald Trump, um milhão de estudantes internacionais podem ser obrigado a deixar os Estados Unidos se suas universidades mudarem para o aprendizado somente on-line, de acordo com a "CNN". Quem não sair voluntariamente enfrentará deportação.

Mais da metade dos alunos estrangeiros nos EUA são da Ásia. Segundo números divulgados pela emissora americana, no ano acadêmico de 2018 e 2019, 370 mil eram da China; 202 mil, da Índia; 52 mil, da Coreia do Sul; 24 mil, do Vietnã; 23 mil, de Taiwan; e 18 mil, do Japão. Outros grandes "exportadores" de estudantes para universidades do país são: Arábia Saudita, com 37 mil; Canadá, com 26 mil; Brasil, com 16 mil; e México, com 15 mil.

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Algumas instituições de ensino já anunciaram que oferecerão todos os cursos on-line devido à pandemia do novo coronavírus, que até o momento infectou mais de 2,9 milhões de pessoas e matou mais de 130 mil somente nos EUA. Outras ainda planejam aulas no campus, mas com o surto no país ainda sem controle, há o risco de que essas escolas também migrem para o sistema remoto.

A "CNN" lembra que existem várias outras políticas que tornam as coisas mais difíceis para os alunos internacionais. Em maio, por exemplo, o "The New York Times" e a "Reuters" informaram que os EUA planejavam cancelar os vistos de milhares de estudantes e pesquisadores chineses com vínculos com universidades afiliadas ao Exército de Libertação Popular.

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Em abril, o senador republicano Tom Cotton sugeriu que os alunos chineses das universidades americanas não deveriam estudar ciência e tecnologia. O governo Trump também fez uma série de mudanças no sistema de imigração do país, citando a pandemia de coronavírus, que resultou em impedir que muitos imigrantes fossem para os EUA.

E não são apenas os estudantes que podem se dar mal com a decisão de segunda-feira, afirma a emissora. A economia dos EUA também poderia ser impactada. Em 2018, só os alunos de China, Índia e Coreia do Sul contribuíram com mais de US$ 25 bilhões, segundo o Institute of International Education (Instituto de Educação Internacional), sem fins lucrativos. Se os estudantes forem forçados a deixar o país, talvez não estejam dispostos a continuar pagando para estudar remotamente em um fuso horário diferente.

Nicholas Henderson, co-fundador e diretor da Essai Education, um instituto de aconselhamento e preparação para indianos que desejam estudar nos EUA, disse à "CNN" que a nova regra pode levar faculdades a mudarem suas políticas para modelos híbridos, por exemplo, para ajudar os alunos a ficarem no país. "Acho que o que a Covid mostrou é que as universidades estão dispostas a trabalhar com os estudantes", disse ele. Mas, mesmo assim, existe o risco de as políticas dos EUA desencorajarem futuros alunos de optarem por estudar nos EUA.

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