Um paraíso abandonado: Parque da Taquara, em Duque de Caxias, sofre com infraestrutura precária e falta de manutenção

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O Parque Municipal da Taquara, em Duque de Caxias, parece um paraíso. Frequentado pelos moradores da região desde 1992, o oásis é uma área preservada de Mata Atlântica com cachoeiras, rios e enorme biodiversidade. No local, até o mico-leão-dourado, espécie de primata ameaçada de extinção, já foi visto. Quem entra no parque, porém, logo percebe os sinais de abandono. Placas de sinalização apagadas pelo tempo tornam impossível que o visitante se oriente sobre a direção das atrações. Os quiosques estão destruídos, e as trilhas oferecem mata fechada e troncos de árvores jogados, que bloqueiam o caminho.

Algumas placas indicam para seguir na trilha, mas não informam qual a distância ou tempo estimado para chegar ao fim, por exemplo. O parque ficou fechado por meses durante a pandemia da Covid-19. Um abaixo-assinado chegou a ser criado na internet pedindo a reabertura do local.

Nascido e criado na região, Jacir Ramalho, de 67 anos, tirava por conta própria o lixo da estrada de terra que leva ao parque, em frente à sua casa. Ele trabalhou na construção da estrutura do parque como encarregado de obras.

— Marquei os quiosques e os mirantes. Agora está tudo abandonado. É lamentável saber que um grande investimento que foi feito agora está nesse nível de abandono. Os banheiros públicos estão totalmente largados, tudo quebrado — desabafa Jacir, dizendo ainda que os quiosques destruídos na entrada do parque funcionavam como lanchonetes.

O morador de Olavo Bilac, Roberto Rocha, de 41 anos, que levou a esposa Fernanda e o filho Arthur, de 10, para conhecer as cachoeiras do parque, também notou que a situação é de precariedade.

— Achei que está meio abandonado em relação à higiene. É muita garrafa pet, não tem lixeira. As trilhas estão mais fechadas pela mata também, e sem sinalização. É a quarta vez que venho aqui e me perco — afirma.

O pequeno Arthur, porém, aprovou o que o parque tem de bom, como as cachoeiras e disse quer voltar.

Caça e pesca ilegais

Segundo o professor de geografia física da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense, da Uerj, Wellington Francisco Sá dos Santos, o Parque da Taquara sofre com problemas como a degradação do bioma, caça e pesca ilegais, além da falta de infraestrutura.

— É comum na região ter anzóis e armadilhas para captura de animais no parque. E tem os problemas de infraestrutura. Não há saneamento básico no entorno, e a coleta de lixo nem sempre é feita. Não tem posto de primeiros socorros, falta banheiro, iluminação. E tem todo o processo de ocupação desordenada — explica o professor.

Para Wellington, a solução para preservação do parque passa pela educação ambiental não só dos moradores e frequentadores, mas também dos governantes:

— É um local importantíssimo como área de lazer, um ponto turístico.

O Parque Natural da Taquara é administrado pela Secretaria municipal de Meio Ambiente e Proteção Animal. Procurada, a prefeitura de Duque de Caxias disse que o parque foi reaberto no dia 15 de setembro deste ano, que funciona para visitação de terça a domingo, de 9h às 16h, e que o local está sinalizado.

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