Um sobrado que dá samba, pagode, jazz... Violinista do Municipal faz saraus em Laranjeiras

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RIO — Ele morou um ano em Paris, fazendo um curso de jazz no violino. Lá, tocava música brasileira em um bar até o início da pandemia. Quando voltou para o Rio, em outubro, William Doyle quis continuar tocando. No meio do caminho, no entanto, ainda tinha a pandemia. Mas também tinha um sobrado em Laranjeiras, para onde ele se mudou com a namorada, a pianista e professora de música portuguesa Verónica Fernandes, em fevereiro. Foi lá que os dois, ao lado do amigo Rafael Gaspar, que toca violão e guitarra portuguesa, criaram o Sobrado Sessions, uma espécie de sarau em que o trio desfila músicas do cancioneiro popular e erudito. Em tempos de isolamento social, a plateia vinha sendo virtual: eles vêm filmando os encontros e, desde junho, postando vídeos novos no canal do projeto no YouTube todas as terças-feiras.

— Quando a pandemia deu uma amenizada, passamos a receber convidados, como o trompetista Jessé Sadoc (que toca com nomes como Djavan e João Donato) e o ator e cantor Thales Cavalcanti (de “Malhação” e de “Filhos da pátria”) — conta Doyle, que é violinista da orquestra do Teatro Municipal.

No repertório, sucessos de diferentes procedências, como o choro “Santa Morena”, de Jacob do Bandolim, e o pagode “Cheia de manias”, do Raça Negra.

— Temos formação clássica, mas jogamos muito no popular, pela valorização da nossa cultura e da nossa música, que é o que nos distingue do resto do mundo — diz.

Após um evento teste em julho — um arraial sentado para bem poucos amigos —, o trio se prepara para fazer uma edição presencial do Sobrado Sessions, no próximo dia 25, às 18h e às 20h.

— Cada sessão vai ser para apenas 20 pessoas, seguindo todos os protocolos de segurança. Reservas podem ser feitas pelo nosso perfil no Instagram (@sobradosessions). A contribuição vai ser consciente — avisa Doyle.

Ele é filho de um trompista e de uma violinista da Orquestra do Teatro Municipal. Sua avó materna, cantora lírica, foi membro do coro, e seu avô paterno veio de navio com a família da Inglaterra em 1977 para ser maître de ballet do teatro. Não tinha muito como escapar da arte, nem do Municipal: foi aprovado em concurso público em 2013, aos 21 anos.

— Foi um desafio de amadurecimento como músico. Quando fui aprovado, me bateu um senso de responsabilidade, de ter que mandar bem no meu trabalho. Na época, fazia faculdade de Direito e, ao passar no concurso, resolvi estudar Música. É muito importante para mim poder transmitir o legado da minha família — resume.

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