Um tabu chamado pobreza menstrual: conheça países que fazem a distribuição de absorventes

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
·3 min de leitura
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
Various material for the period of women
Various material for the period of women

No início de outubro, Jair Bolsonaro (sem partido) se envolveu em mais uma polêmica: o presidente da república vetou a distribuição gratuita de absorventes íntimos para jovens de baixa renda, pessoas em situação de rua ou expostas à vulnerabilidade social, mulheres presidiárias e mulheres internadas em unidades de cumprimento de medidas socioeducativas. O veto foi fortemente criticado nas redes sociais e também por especialistas que compreendem que a pobreza menstrual é um problema grave que precisa ser combatido.

De acordo com a Unicef, pobreza menstrual é a situação precária vivenciada por quem menstrua - como mulheres, pessoas não binárias e homens trans - gerada pela escassez de recursos financeiros e falta de infraestrutura para que essas pessoas possam cuidar de forma plena da sua menstruação, o que inclui desde dinheiro para a compra de absorventes até acesso a conhecimento sobre temas como saúde sexual e reprodutiva.

Uma pesquisa realizada pela Sempre Livre, marca de cuidados íntimos da Johnson & Johnson Consumer Health, feito em parceria com a os Institutos Kyra e Mosaiclab, levantou que 28% das mulheres de baixa renda são afetadas diretamente pela pobreza menstrual, ou seja, mais de 11 milhões de brasileiras, e que 40% dessas mulheres tem entre 14 e 24 anos, ou seja, jovens ainda em idade escolar. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), no Brasil, 25% das meninas entre 12 e 19 anos já deixaram de ir à aula por não ter um absorvente.

O veto de Bolsonaro é um retrocesso que atinge milhares de pessoas que menstruam e vai na contramão de países que apoiam iniciativas de combate à pobreza menstrual.

Veja quais são alguns desses países:

  1. Escócia

  2. Estados Unidos (Califórnia)

  3. Canadá (Ontário)

  4. Nova Zelândia

  5. Peru

  6. Argentina

Escócia

Em 2020, a Escócia se tornou o primeiro país do mundo a oferecer de forma gratuita e universal absorventes e tampões íntimos para pessoas que menstruam. O parlamento escocês aprovou por unanimidade o projeto de lei apresentado pela parlamentar Monica Lennon, do Partido Trabalhista. A lei impõe às autoridades locais a obrigação de garantir produtos menstruais gratuitamente.

Estados Unidos (Califórnia)

Desde de 2017, a legislação californiana já estabelecia a distribuição gratuita de absorventes, mas somente para escolas com alunas de baixa renda. Recentemente, o governo do estado da Califórnia aprovou uma lei que amplia a medida já adotada e exige também às universidades locais e escolas públicas a disponibilidade de absorventes íntimos.

Canadá (Ontário)

O governo da província de Ontário, no Canadá, também aprovou recentemente medida que garante absorventes para estudantes. O projeto pretende oferecer 6 milhões de unidades de produtos menstruais às escolas anualmente.

Nova Zelândia

Em janeiro deste ano, a primeira-ministra Jacinda Ardern anunciou que todas as escolas da Nova Zelândia passariam a fornecer produtos sanitários e absorventes gratuitamente. O programa está sendo gradualmente implementado por meio de parcerias entre o governo e fornecedores.

Peru

A Comissão de Saúde do Congresso peruano aprovou por unanimidade, também em janeiro deste ano, projeto de lei que garante à pessoas que menstruam a solicitação gratuita de produtos de higiene menstrual em qualquer estabelecimento público de saúde, centros penitenciários e instituições educacionais.

Argentina

Os municípios de Morón e Santa Fé garantem a distribuição gratuita de produtos menstruais, além da doação de 15 mil itens dessa categoria para pessoas que vivem em contexto de vulnerabilidade e menstruam.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos