'Um tio quase perfeito 2' faz sátira do politicamente correto

Sérgio Rizzo
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Divulgação / DESIREE DO VALLE

Um homem enciumado se comporta de maneira patética em “Um tio quase perfeito 2”, sequência da comédia que levou 560 mil pessoas aos cinemas em 2017. Desta vez, no entanto, a curva de transformação do protagonista é invertida. No primeiro filme, Tony (Marcus Majella) é apresentado como um vigarista sem coração que, aos poucos, vira bom moço. Ao final, ele ganha a confiança da irmã, Ângela (Letícia Isnard), e dos sobrinhos (Julia Svacina, João Barreto e Soffia Monteiro). Parece o tio dos sonhos. Ou quase.

A continuação começa exatamente nesse ponto de virada: tudo em paz na família, com Tony e a mãe (Ana Lúcia Torre), ambos sem-teto no primeiro filme, morando ao lado da irmã e dos sobrinhos (e registre-se que a direção de arte deu notável banho de loja nas casas do filme). O desequilíbrio começa quando Ângela anuncia o casamento com o namorado (Danton Mello), adorado pelas crianças, que o chamam de “tio Beto”. A concorrência pelo coração das crianças leva Tony de volta à pilantragem. Sua vingança contra o cunhado será maligna.

Dirigido novamente por Pedro Antonio, o filme extrai humor das trapalhadas de Tony e da sátira de temas politicamente corretos. Beto, por exemplo, tem uma loja de produtos orgânicos. Apelidado por Tony de “rei da rúcula”, ele é o protótipo do homem supostamente perfeito que, acredita o tio rancoroso, precisa ser desmascarado. As atuações de Majella e Mello enfatizam o contraste, facilitando ao espectador morder a isca e ficar ao lado de quem se comporta mal.