Uma almofada aqui, uma gravura ali: detalhes que fazem a diferença na decoração da casa

Gisele Araújo
·7 minuto de leitura

Rio — Há detalhes que fazem toda a diferença. E se esta máxima vale para diferentes situações, combina perfeitamente com o desejo de deixar o lar mais bonito e confortável. Empresários que vivem comercializar artigos de decoração perceberam que, em tempos de necessário distanciamento social e de clientes mais afeitos a investir em seu ambiente particular, seria uma boa ideia lançar novidades e aliá-las a um serviço personalizado. E os consumidores, por sua vez, se mostraram receptivos ao movimento.

A empresária e especialista em tapetes artesanais Larissa Allemand, responsável pela Galeria Hathi, no CasaShopping, que o diga. Adepta da neuroarquitetura, segundo a qual o ambiente físico tem impacto no bem-estar do ser humano, ela defende que estas peças são fundamentais para o conforto visual e auditivo dos moradores.

— A organização do espaço mexe com a forma de agir e de pensar das pessoas, e o tapete confere uma unicidade dos móveis, que sem ele ficariam soltos no ambiente, ocasionando poluição visual. Além disso, ele ajuda a amenizar o som e os barulhos, tanto de fora para dentro quanto de dentro para fora das casas — salienta.

As peças que vende, em sua maioria importadas, são feitas de materiais extraídos de maneira sustentável, como lã, cânhamo, sisal e algodão. Os interessados em comprá-las têm direito a uma consultoria, a principio virtual.

—Intensificamos nossa atuação nas redes, principalmente no Instagram, e os clientes podem fazer contato por lá e mandar a planta de seu ambiente, por exemplo, ou ir a uma das nossas duas lojas para escolher os produtos. Temos feito muitos atendimentos por chamada de vídeo, para explicar como se mede o espaço para o tapete e qual o mais adequado para o piso e a iluminação das casas — explica.

Larissa conta que as vendas aumentaram na quarentena e quase todas são feitas com demonstração na casa dos clientes.

—A gente não acredita em tapetes comprados pela internet sem que se conheça o produto antes. E intensificamos o treinamento da nossa equipe de entrega, pois os tapetes são feitos à mão e o manuseio precisa de delicadeza. Além disso, muitos clientes têm peças assinadas, obras de artes.

Em alguns casos, é preciso cortar os tapetes para adequá-los ao espaço do comprador. Estas sobras têm sido reaproveitadas na confecção de bolsas, revisteiros e almofadas que serão lançados em maio.

Almofadas sustentáveis

Stella Abinader, gerente comercial da loja Sttillo Rio, na Barra da Tijuca, e a influencer Celina Mello Franco, da plataforma Conexão Decor, também têm apostado na reciclagem para criar artigos de decoração. A dupla vem lançando linhas especiais de almofadas que exploram as cores e as texturas de sobras de tecidos de coleções passadas da loja.

— Tem dado muito certo. A almofada é uma peça muito econômica, que permite que você transforme o ambiente a partir da composição de tecidos com estampas únicas — observa Stella.

Além de gerar economia e contribuir para a preservação do meio ambiente, observa a dupla, o aproveitamento de resíduos têxteis muitas vezes garante aos clientes a compra de produtos exclusivos.

— Usamos sobras de tecidos descontinuados, e, quando a quantidade é pequena, isso gera peças únicas. Sempre digo que uma almofada nova e uma tinta na parede mudam uma casa — comenta Celina, cliente assídua da loja e idealizadora da parceria.

O objetivo inicial era criar uma coleção-cápsula com 250 almofadas sustentáveis e feitas artesanalmente, agrupadas em quatro linhas: Collors, Jeans, Mix and Match e Peça Única.

—Usamos mais de 50 tipos de tecidos em combinações high low, entre linhos lisos e estampados, camurças, veludos e algodões, inclusive bordados, dos mais variados preços. Juntámos tudo na mesa do ateliê para começar a criar, testando cores, texturas e desenhos. Cada almofada nova finalizada era motivo de comemoração — lembra Celina.

Com o sucesso, as duas decidiram lanaçar novas coleções e expandir o leque. Trabalham, agora, em uma linha de cúpulas de abajur também feitas a partir de sobras de tecidos. As vendas são feitas pela Sttilo Rio, e há possibilidade de atendimento pessoal via WhatsApp.

— Muitos clientes veem nossas peças pelo Instagram, mandam fotos de seus ambientes e recebem dicas das melhores cores e modelos para o local — conta Stella.

Flores para enfeitar ou presentear

Com a proposta de levar mais cores às casas das pessoas, Paula Pizzi criou a Petalis Flores e Folhagens, um serviço de produção e entrega de arranjos florais artesanais. Ela oferece um clube de assinaturas que garante aos clientes o recebimento semanal de novas flores.

A empresa foi criada em 2018, quando Paula começou a criar arranjos personalizados, como suculentas em cachepôs exclusivos, buquês de noiva e decoração para pequenos eventos. Na pandemia, conta, o volume de pedidos aumentou consideravelmente. Além de enfeitar suas casas, muitos clientes querem oferecer um mimo a amigos ou parentes.

— Cada arranjo vai com dicas de como cuidar das flores. Muitas pessoas vêm assinando o serviço para presentear em aniversários, por exemplo — conta Paula, que vai pessoalmente ao Cadeg, em Benfica, três vezes por semana, escolher as flores que usará. —Por estarmos sempre garimpando, nosso diferencial acaba sendo não ter um catálogo fixo. É muito legal ver a confiança que o cliente deposita em nossa criação. E sempre busco trazer novidades, como flores raras ou específicas da estação.

Quem adere ao clube de assinaturas no site da Petalis preenche um formulário indicando se tem preferências ou alergia a alguma planta. As entregas são feitas às terças, quartas e sextas- feiras, na Barra, no Recreio, na Zona Sul e na Tijuca.

Amante da astrologia, no mês passado Paula lançou a sacola astral, uma ecobag com um arranjo floral nas cores que remetem a cada signo e um texto feito por uma especialista.

Arte Urbana para pendurar na parede

Entre pinceladas de tinta acrílica, jatos de tinta spray, linhas e agulhas, o casal de artistas Camila Geoffroy e Japia, conhecido como Alma Salgada, utiliza técnicas de pinturas próprias em seus trabalhos, que podem ser vistos em grandes telas ou em espaços como o Recreio Shopping e o Fashion Mall, em São Conrado. Este ano, eles lançaram uma série de prints — versões menores e digitalizadas de suas obras — com objetivo de tornar sua arte mais acessível.

As prints são certificadas, numeradas e feitas em pouca quantidade. Desde o lançamento, a dupla viu a demanda quase triplicar. São disponibilizadas cerca de dez impressões de cada arte, em folha A2, e a venda é feita pelo site almasalgada.com.

—Começamos a trabalhar com prints durante a pandemia, porque muita gente queria ter nossas obras, mas só tínhamos os trabalhos grandes. E vimos os pedidos crescerem à medida em que as pessoas começaram a ter vontade de colorir suas casas nesse período — conta Camila.

Durante a quarentena, a dupla experimentou o uso de gesso e bordados em seus trabalhos.

—Para fazer as prints, a gente utiliza uma câmera fotográfica com qualidade de resolução muito boa, e as imagens acabam reproduzindo as texturas das obras grandes. Fica tudo muito real. No site você não consegue ter noção de como é a olho nu, mas é muito divertido mergulhar nessa experiência — conta a artista.

O casal planeja adaptar as obras também para folhas A3, na tentativa de facilitar ainda mais as compras, e desenvolve outros produtos para casa, como cartelas de adesivos e objetos decorativos.

—Os adesivos partem de uma arte em que um menino está com um regador. Seguem também mandalas soltas, e as pessoas podem montar a pintura. Pensamos ainda em pintar latas de spray, fazer artes nelas e colocá-las dentro de caixinhas de madeira — revela Japia.

Os trabalhos da dupla chamam atenção não só pela paleta fixa de cores utilizada por Camila — que costuma criar mandalas florais com rosa pink, tons de laranja, turquesa e verde limão — mas também pela combinação de seus traços com o trabalho realista em aerografia de Japia. Para chegar a este resultado, os artistas percorreram um longo caminho de amadurecimento.

— Nos seis primeiros meses, nós tentamos encaixar nossos estilos. Queríamos criar uma coisa única — relembra Japia.

*Estagiária, sob a supervisão de Lilian Fernandes

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