Uma casa para Enzo: campanha arrecada fundos para menino que vende paçoca em farol

Enzo Francisco, de 8 anos, apareceu no Profissão Repórter, da TV Globo. Agora, aguarda a casa da família ficar pronta (Foto: Reprodução/TV Globo)
Enzo Francisco, de 8 anos, apareceu no Profissão Repórter, da TV Globo. Agora, aguarda a casa da família ficar pronta (Foto: Reprodução/TV Globo)

Enzo Francisco, de 8 anos, foi personagem do programa Profissão Repórter, da TV Globo, em 1º de março deste ano. O menino e a mãe, Ana Paula Francisco, de 34 anos, não tinham ideia de que ativistas estariam vendo a reportagem e poderia mudar a vida deles de forma definitiva: arrecadando dinheiro para construir uma casa para eles.

Perto do objetivo final, ainda é preciso levantar mais fundos para fazer o contrapiso, colocar o piso e, eventualmente, comprar móveis. Ter uma casa seria a realização de dois sonhos de Enzo: ter um quarto e dormir em uma cama. Quando o programa de televisão foi ao ar, a família vivia em um barraco e todos, pai, mãe e cinco filhos, dormiam juntos, no único cômodo da casa.

Tati Nefertari, estudante de pedagogia na Universidade de São Paulo e uma das fundadoras da Biblioteca Comunitária Assata Shakur, procurou a família. Na reportagem, Enzo, que vende paçoca com a mãe em faróis da cidade de São Paulo, conta que gosta de cantar funk e sugeriu que poderia vir a ser, um dia, o MC Paçoca. Tati, então, teve a ideia de oferecer ao menino uma vaga em uma oficina de hip hop, que acontecia na biblioteca.

“A gente, da biblioteca, estava oferecendo aulas de hip hop, que tem a ver com rima. Então, pensei, ele pode ser uma das crianças do nosso projeto e a gente pode ajudar a família dele com cestas básicas”, conta ao Yahoo! Notícias. Essa era a ideia inicial.

Quando Tati foi conhecer a família de Enzo e Ana Paula, descobriu que a situação era mais grave que pensava. “Eles moravam a família inteira, dois adultos e cinco filhos, e dormiam no chão, em um barraco. Só ir lá e falar para ele fazer o projeto de hip hip não seria o suficiente, eles precisavam de outro tipo de ajuda.”

A família de Ana Paula é dona de um terreno no Jardim Peri, na Zona Norte de São Paulo, mas não tem dinheiro para construir uma casa. O barraco onde os sete vivem já foi destruído por chuvas mais de uma vez. A mãe de Enzo não imaginava que o programa teria essa repercussão.

Casa de Enzo e Ana Paula antes da arrecadação para a construção (Foto: Acervo pessoal)
Casa de Enzo e Ana Paula antes da arrecadação para a construção (Foto: Acervo pessoal)

Ao lado da ativista Andreza Delgado, Tati Nefertari criou o financiamento em abril. O objetivo é terminar de construir uma casa com uma sala, uma cozinha, dois quartos e um banheiro. Para finalizar a obra, o valor total é de R$ 57 mil.

Uma parte do valor foi doado pela Fúria, equipe de e-sports. Até o momento, elas levantaram cerca de R$ 45 mil. O mais urgente é que consigam cerca de R$ 2,6 mil para pagar as pendências mais urgentes e outros R$ 6 mil para colocar o piso na casa. As doações podem ser feitas pelo pix do projeto: umacasaparaenzo@gmail.com.

Enquanto isso, Tati e Andreza, com ajuda de outros ativistas, também se mobilizam para pagar um aluguel para a família, que está em outra casa, no mesmo bairro, durante a construção. Os valores também foram usados para comprar fraldas e alimentos.

O marido de Ana, que trabalha como pintor, está desempregado desde o início da pandemia da covid-19 e ela teve dificuldades de conseguir o auxílio, o que só ocorreu após a matéria do Profissão Repórter ir ao ar. Foram três anos sem receber qualquer valor de programas sociais. Agora, o marido ajuda na construção da casa.

“Eu não tinha condições. Deus preparou de fazer esse programa e eu conquistar o que meus filhos tanto queriam, que era uma casinha e uma cama, porque sempre dormimos no chão”, conta Ana Paula. “A Tati e a Andreza foram pessoas muito importantes na minha vida.”

Casa de Enzo e Ana Paula durante a construção; previsão é de que a obra fique pronta no início de agosto (Foto: Acervo pessoal)
Casa de Enzo e Ana Paula durante a construção; previsão é de que a obra fique pronta no início de agosto (Foto: Acervo pessoal)

Ao falar de Enzo, o menino que cativou Tati, Ana Paula se emocionou. “Todos os meus filhos me ajudavam no farol. O mais velho, que tem 11 anos hoje, foi muito humilhado, e ele não queria mais. Então, Enzo disse que iria comigo. É o jeito dele. Ele tem uma coisa muito especial, não sei explicar. Onde ele vai, ele conquista corações.”

Além de corações, Enzo quer conquistar a casa da família. A previsão é de que a casa esteja pronta, no contrapiso, até o início de agosto. A próxima etapa da campanha teria como objetivo arrecadar dinheiro para comprar móveis.

O próximo sonho de Ana Paula é conseguir fazer um curso de esteticista, para conseguir um trabalho fixo.

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