Uma em cada cinco mortes de homens no mundo é provocada pelo consumo de tabaco

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WASHINGTON — O consumo de tabaco foi responsável pela morte de cerca de 8 milhões de pessoas no mundo e matou um em cada cinco homens em 2019, conforme apontam pesquisas publicadas na última quinta-feira na revista The Lancet e The Lancet Public Health, diante da lembrança do Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado nesta segunda-feira. Os levantamentos mostram ainda que 89% dos fumantes se tornam dependentes antes dos 25 anos, alertando para a importância da prevenção nesta faixa etária.

Os dados levantados a partir de 3.625 pesquisas realizadas nacionalmente em 204 países vão na contramão do que era esperado — desde 1990, houve queda de 27,5% do vício em tabaco em homens e 37,7% em mulheres. Entretanto, houve crescimento expressivo no consumo por homens em 20 países que integram o estudo e, em 12 deles, mais mulheres se tornaram fumantes no mesmo período. Em 2019, aproximadamente 1,1 bilhão de pessoas eram usuárias de cigarro no mundo — quase que o equivalente à população da Índia.

Outro fator observado pelos pesquisadores foi que a taxa de decréscimo do consumo de cigarros não acompanhou o crescimento populacional ocorrido em boa parte dos países, principalmente em desenvolvimento, nesse período.

Dez países com o maior número de viciados em tabaco em 2019 — China, Índia, Indonésia, Estados Unidos, Rússia, Bangladesh, Japão, Turquia, Vietnã e Filipinas — representam, juntos, cerca de dois terços da população mundial. Cerca de um terço dos fumantes do mundo moram na China.

Fumantes ativos correspondem a 87% das mortes

Entre as causas de morte em decorrência do consumo de tabaco identificadas em 2019 estão a doença arterial coronariana (1,7 milhão); doença de obstrução pulmonar crônica (1,6 milhão); câncer de pulmão, brônquios e traqueia (1,3 milhão) e ataque cardíaco (1 milhão). Pesquisas anteriores já apontavam que pelo menos metade dos fumantes de longa data morrem por causas ligadas ao vício, e têm sua expectativa de vida reduzida em dez anos.

Cerca de 87% das mortes atribuídas ao consumo de tabaco ocorrem entre fumantes ativos. Apenas 6% dos óbitos em escala global acometem quem parou de fumar mais de 15 anos antes, o que reforça a importância de abandonar a dependência.

Os artigos publicados nas revistas The Lancet e The Lancet Public Health, e reunidos no estudo de Carga Global de Morbidade, avaliaram 3.625 estudos realizados em 204 países para mapear o consumo de tabaco por homens e mulheres de 15 anos ou mais. Entre os fatores analisados, estão o ano em que começaram a usar a substância, doenças associadas que desenvolveram e riscos entre ex-fumantes.

“Fumar é um grande fator de risco que ameaça a saúde de pessoas no mundo, mas o controle do tabaco é insuficiente em boa parte dos países. A constância de altos índices de consumo entre jovens, junto com a expansão de novos produtos nicotinados, destacam a necessidade urgente de países redobrarem o controle”, afirma a professora do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde da Universidade de Seattle Emmanuela Gakidou, uma das autoras do estudo.

Em 2019, foram fumados 7,4 trilhões de cigarros feitos de tabaco, o que representa cerca de 20,3 milhões de unidades por dia — os países da Europa estão entre os usuários mais assíduos. Um em cada três homens e uma em cada cinco mulheres fuma cerca de 20 cigarros por dia, o equivalente a um maço.

Altas taxas entre jovens

Os dados alarmam para uma forte prevalência da dependência em tabaco ainda na juventude — em 2019, 155 milhões de pessoas entre 15 e 24 anos se identificaram como fumantes. A grande maioria dos adeptos aos cigarros começaram o vício bem cedo. Dois terços de todos os fumantes deram o primeiro trago aos 20 anos, e 89% tragaram primeiro antes dos 25 anos.

Levantamentos mostram que houve uma queda de 32,9% do fumo entre homens jovens e, no caso das mulheres, a redução foi de 37,6%. Porém, apenas 81 países realmente conseguiram reduzir o consumo entre jovens. Mais da metade das 204 nações avaliadas não observaram mudança no comportamento do vício nesse grupo.

Em doze países e territórios, ao menos um em cada três jovens era dependente de tabaco em 2019. São eles: Bulgária, Croácia, Letônia, França, Chile, Turquia, Groenlândia e em cinco ilhas localizadas no Pacífico.

No mundo, em média, as pessoas começam a fumar aos 19 anos. A taxa varia de acordo com a região analisada. Por exemplo, a Dinamarca bate o recorde de média mais jovem: 16,4 anos. Por outro lado, o Togo, nação africana, tem a maior média de idade para iniciar o vício em tabaco, de 22,5 anos.

“Mesmo em países em que a prevalência do consumo de tabaco entre jovens diminuiu consideravelmente, a média de idade em que as pessoas começam a fumar segue mais ou menos a mesma. Isso evidencia que deve haver uma intervenção sobre o tabaco de forma conjunta, não apenas aumentando a idade mínima para o uso legal”, explica uma das autoras principais do estudo, Marissa Reitsma.

Regulamentação internacional

O primeiro tratado internacional para restringir o acesso ao tabaco foi a Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, da Organização Mundial da Saúde (OMS), assinada em 2005. O acordo determinou regras para reduzir a acessibilidade da droga, com base em estudos na área, como a taxação de produtos, legislação para garantir zonas em que é proibido fumar e restringir a venda a menores de idade.

Apesar de 182 países terem ratificado o acordo desde a data da assinatura, apenas 62 adotaram políticas anti-tabaco efetivas, 23 ofereceram todas as formas de embargo, 91 obrigam empresas em seu território a deixarem mensagens sobre os efeitos da droga da cartela. Também 48 países implementaram propagandas de conscientização e banimento de patrocínios feitos por empresas de tabaco, e 38 implementaram o nível de taxação do tabaco recomendado pela OMS.

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