Uma em cada quatro famílias de alunos em escolas públicas se preocupa com a readaptação dos filhos na volta às aulas

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RIO - Uma em cada quatro famílias de alunos em escolas públicas se preocupa com a readaptação dos seus filhos na volta às aulas, segundo pesquisa do Datafolha, encomendada pelo Itaú Social, Fundação Lemann e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

O levantamento, chamado “Educação Não Presencial na Perspectiva dos Estudantes e suas Famílias”, foi feito em maio deste ano por telefone e mostra ainda que 40% dos alunos se sentem desmotivados e os pais têm medo de que eles desistam de estudar. Em maio de 2020, esse percentual era de 26%.

Por isso, Patrícia Guedes, gerente de pesquisa e desenvolvimento do Itaú Social, afirma que há cuidados necessários para o momento de retorno às aulas presenciais.

— Tanto em termos de estratégias de acolhimento e de socialização, assim como em atividades de diagnóstico das aprendizagens para que cada estudante receba um olhar customizado e as escolas desenvolvam estratégias desses diagnósticos.

Os temores surgem num cenário em que as crianças estão há um ano e três meses distantes fisicamente da escola, estudando apenas pelo ensino remoto.

Para piorar, o modelo de educação à distância emergencial, implementado pelas redes públicas do país, esbarrou na falta de acesso à internet de alunos mais pobres e até dos profissionais da educação, o que resultou em um ano letivo majoritariamente com atividades por WhatsApp ou materiais impressos — e, portanto, baixíssima interação entre estudantes e seus professores.

Na avaliação de Denis Mizne, diretor executivo da Fundação Lemann, há cuidados necessários a serem tomados no processo de retomada.

— A primeira dimensão é de como os profissionais da educação serão preparados para receber essas crianças. A segunda coisa é o diálogo. A direção da escola tem que ser muito clara com os pais sobre como será a reabertura, e isso vai ser muito importante até do ponto de vista pedagógico — diz Minze.

Neste cenário, a maioria dos pais de alunos percebe que a aprendizagem dos estudantes piorou quando comparado com o período antes da pandemia. Antes da crise sanitária, diz o levantamento, 86% achavam ótimo ou bom o desempenho escolar, agora esse índice é de 59%.

Um dos maiores desafios é, segundo a pesquisa descobriu, as dificuldades em manter a rotina de estudos. Ela foi relatada por 58% das famílias há um ano e agora 69% citaram esse problema. Além disso, ele expressivo nos anos iniciais, período de alfabetização (74%), na região Nordeste e de escola de alunos com baixo nível socioeconômico.

— A gente precisa estender o tempo de aula, principalmente nos anos iniciais, porque essas crianças não vão recuperar tudo da noite para o dia. E essa interação física pode ser combinada com a interação tecnológica. Pode ser usado a tecnologia para ajudar esse aluno a avançar ou a praticar o que aprendeu em sala — afirma Minze.

Apesar do movimento de retorno ao modelo presencial de aulas na rede privada, a pesquisa mostrou na pública que oito de cada dez estudantes da educação básica ainda dependem do ensino remoto.

— A pandemia mostrou que a tecnologia sozinha não dá conta. Mesmo quando consegue ser ofertada, o professor tem papel fundamental e faz a diferença quando acompanha o estudante, tira dúvidas. Agora, sem dúvida, a gente está chegando num momento de desgaste — afirma Guedes.

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