De mãos dadas pela democracia: jovens da periferia baiana se unem para todos votarem

Jovens se organizaram para que todos pudessem tirar o título de eleitor (Adriano Alves)
Jovens se organizaram para que todos pudessem tirar o título de eleitor (Adriano Alves)

Com engajamento de influciadores digitais, famosos e instituições públicas, a campanha por novos eleitores para o Brasil atraiu mais de 2.042.817 jovens entre 16 e 18 anos, que emitiram o título de eleitor para as Eleições 2022. Porém, o acesso a informação com publicações na internet e outras mídias não era garantia de que esses potenciais eleitores iriam de fato buscar os canais de atendimento do TRE. Pensando nisso, jovens da periferia baiana, que têm familiaridade com discussões políticas e domínio da tecnologia, resolveram ir às ruas colaborar.

Em Juazeiro, no Sertão da Bahia, a educadora e terapeuta Alessandra Rodrigues, 28, se orgulha de ter ajudado mais de 20 pessoas a conseguirem ter a chance de exercer a cidadania. Ela faz parte de um coletivo que, de forma simples com notebooks e celulares próprios driblaram os problemas de conexão, organizando mutirões em pontos da periferia da cidade. "No dia apareceram os jovens e até gente com mais de quarenta anos de idade que ainda não tinha título de eleitor", lembra.

Moradora do bairro Quidé, ela vê de perto a realidade de quem precisa de políticas públicas efetivas contra a desigualdade social e diz lutar contra o retrocesso dos últimos anos. "A realidade da minha comunidade é de um bairro periférico de pessoas pobres. Apesar de cada vez mais ter moradores que acessam o nível superior, jovens e adolescentes estão aleatórios em processos tecnológicos como tirar o título online e de saber que têm poder para cobrar dos governantes melhorias na oferta dos nossos direitos", pontua.

A maioria dos atendidos foram motivados pela insatisfação com o governo do atual presidente Jair Bolsonaro, então perceberam que só com o voto é possível mudar de gestor. Stefane Macêdo, 17, quis tirar o título, mesmo sem a obrigatoriedade, e está ansiosa para votar pela primeira vez. "Creio que um voto faz diferença, principalmente quando damos conta de que precisamos pensar em quem mereça estar à frente da presidência. Por isso escolhi tirar meu título, pra mostrar a minha opinião", conta.

As realidades são bem diferentes. Outro jovem, já com 21 anos, que ainda não tinha o documento, precisava se regularizar, mas não conseguiu ser atendido no Fórum Eleitoral, onde a entrada só é permitida com comprovante de vacinação. "Ele não tinha tomado as vacinas contra Covid-19 porque não foi liberado do trabalho e iria perder a diária de serviço. Foi satisfatório poder ajudar, apoiar jovens trabalhadores", relembra a educadora Alessandra.

Na zona rural da cidade, os jovens também organizaram pontos de apoio para quem precisa dos serviços do TRE que podem ser acessados digitalmente. O estudante João Victor Santos de Araújo, 19, abriu as portas de sua casa na comunidade Alfavaca do Salitre e recebeu 16 pessoas.

Na política participativa é importante o cidadão eleger seus representantes, é a partir da política que ele vai conseguir transformar a realidade dele. "A educação política nas periferias caminha a passos lentos. É a partir de jovens como eu e outros que fazem coletivos, que devemos interagir e mostrar esse caminho. Cara, tua roupa tá mais cara por causa da política, tua comida tá mais cara. Fazer com que esse jovem compreenda o porquê de tudo está problemático", comenta.

Em sua comunidade, ele diz que a maioria não "se liga" em política e acaba votando por obrigação. "Muitos deixam de acreditar na política, não querem debater política. Mas, a juventude é a renovação de uma nação, de uma sociedade. É a partir da juventude que tudo pode se transformar", conclui esperançoso que aos poucos tudo vai mudar.

Do Sertão à Capital

Na capital baiana, mesmo que em uma metrópole, a realidade de insatisfação na periferia não é diferente. Carlos Antônio, 32, é educador em um projeto social da Santa Casa da Bahia e acompanha os jovens com um portal de notícias comunitário, que fez diversas postagens para sanar dúvidas dos novos eleitores. Ele percebe que os jovens "não são ensinados ou motivados na escola ou nos ambientes educacionais para serem politizados".

O projeto está sediado no Bairro da Paz de Salvador, uma comunidade com 40 anos de luta por moradia, fruto de uma ocupação de pessoas vindas do interior da Bahia na década de 1980, hoje com mais de 50 mil moradores. "Aqui poucos têm saneamento básico nas casas e quase a sua totalidade vivem de auxílio governamental", conta o educador.

Os jovens começam a entender que somente através do voto podem opinar sobre como a gestão pública deve ser feita. A estudante Brenda Gabrielly, 15, conseguiu emitir o título porque fará 16 antes do pleito em outubro e não quis perder a oportunidade de votar. Moradora do Bairro da paz, ela diz que na comunidade há "falta de melhorias em várias áreas". "Os jovens querem votar para melhorar o que tá ruim", completa.

O prazo para regularização junto à Justiça Eleitoral encerrou no último dia 4 de maio. Quem não conseguiu se cadastrar, a orientação do TRE é esperar até novembro, quando deve reabrir o sistema. Já os que fizeram o cadastro online, devem ficar atentos ao aplicativo e-título para acompanhar o procedimento, pois documentos complementares podem ser solicitados.

Qual a data das Eleições 2022?

O primeiro turno das eleições será realizado no dia 2 de outubro, um domingo. Já o segundo turno – caso necessário – será disputado no dia 30 de outubro, também um domingo.

Veja a ordem de escolha na urna eletrônica nas Eleições 2022

  1. Deputado federal (quatro dígitos)

  2. Deputado estadual (cinco dígitos)

  3. Senador (três dígitos)

  4. Governador (dois dígitos)

  5. Presidente da República (dois dígitos)

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