Uma obra que traduz o espírito festeiro de seus donos e as dicas para isso

Simone Raitzik
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Paredes derrubadas, mas o piso de parquê antiguinho e lindo foi mantido

Assim que começaram a morar juntos, há cerca de três anos, o advogado Wallace Corbo e o médico João Stern perceberam que alguma coisa precisava mudar. A relação ia bem, tudo ótimo entre eles, mas havia algo no ambiente da casa que parecia não conspirar a favor. O imóvel antigo, que pertencia à família de João, tinha um clima pesado, além de ser escuro e compartimentado. Praticamente todas as janelas se voltavam para o prisma interno e a luz natural era escassa. Um único banheiro atendia a todos os três quartos e a sensação, cada vez que abriam a porta, era de um certo incômodo no ar. O lugar definitivamente não tinha o astral e o estilo deles. “No dia em que a fechadura quebrou na nossa mão e parte do reboco da sala caiu, decidimos tomar uma atitude. Chamamos a arquiteta Isabella Lucena, que tinha reformado o apartamento de uma amiga, para um papo. Pedimos que ela pensasse em como integrar a cozinha à sala, porque adoramos receber amigos, e também uma forma de mexer no banheiro para tirar o aquecedor. Nada demais, algo básico e simples”, conta Wallace.

Na reunião seguinte, Isabella chegou com uma proposta radical. Mostrou para eles como ficaria o espaço de 85 metros quadrados se quebrasse praticamente todas as paredes e redesenhasse a planta, encaixando a sonhada suíte (com um escritório separado por uma porta de correr), a cozinha integrada com ilha e, ainda, uma nova configuração para o banheiro social e lavabo. Ou seja, praticamente criou um novo imóvel. “Eles ficaram impressionados com a minha ousadia, mas acabaram embarcando na ideia de mudar tudo. Perceberam que a vida poderia ficar muito melhor”, conta a arquiteta, que propôs ainda clarear o piso original de sinteco e descascar algumas vigas para deixar o cimento estrutural aparente. “Inicialmente, essas soluções causaram certo estranhamento. Mas depois foram aprovadas com louvor. E aí me deram carta branca”, acrescenta ela.

Uma decisão de Isabella, fundamental para baratear o custo final, foi a de desenhar (além de armários dos quartos, banheiros, bancada de escritório e cozinha) parte dos móveis, como a estante, mesa de centro e a de jantar. “Misturei madeira com serralheria e a casa ganhou um ar jovem e descolado. Na estante, consegui encaixar os muitos livros deles e ainda cachepôs para plantas. Outra sacada foi fazer um banco fixo, junto da mesa de jantar, dispensando o uso de cadeiras”, detalha ela. Na suíte principal, meia parede pintada no tom de ocre criando a sensação de uma cabeceira.

Wallace admite que a rotina do casal mudou completamente depois da reforma. Agora (leia-se: antes da quarentena no país), eles recebem com mais frequência e o apartamento do Flamengo virou um ponto de encontro disputado entre os muitos amigos. “Tem gente brincando que vai se mudar para o lavabo, que ficou incrível, e uma conhecida, roteirista, avisou que o cenário da minissérie que está escrevendo é inspirado no nosso apê. Bom demais perceber que, apesar do processo longo e desgastante, o resultado é muito prazeroso. Agora, quando acordamos e olhamos em volta, vemos que construímos uma casa de verdade”, comemora Wallace.