"Uma pessoa de ouro", diz cunhada de gari morto por bala perdida em Vicente de Carvalho

Gabriel Morais
Familiares de Francisco chegam ao IML, no Centro

Marlene Gomes, cunhada do gari morto por uma bala perdida nesta quarta-feira em Vicente de Carvalho, o descreveu como “uma pessoa de ouro” e “muito amigo”. Ela, sua irmã Valdeia e uma sobrinha de 18 anos estiveram no Instituto Médico Legal (IML) para fazer o reconhecimento do corpo de Francisco Paulo da Silva, de 61 anos. Ele fazia serviço de capinagem na Rua Cambuci do Vale quando foi atingido.

— Uma pessoa de ouro, uma pessoa de Deus. Muito amigo mesmo. Foi uma coisa de repente, que ninguém espera. — disse Marlene — Ontem mesmo, nós chegamos na rua da casa dele e os vizinhos vieram abraçar, confortar minha irmã (esposa de Francisco) e elogiar ele.

Marlene também contou que o Francisco dizia não ter medo de trabalhar na região:

— Ele dizia "só vai acontecer se Deus quiser". Ele não tinha medo, era um trabalhador mesmo, guerreiro. Ele ia se aposentar e continuar trabalhando, para vocês verem como ele gostava.

Momentos antes de ser baleado, o gari reuniu os colegas da Comlurb da gerência de Irajá, onde trabalhava, para uma oração na Rua Cambuci do Vale na manhã desta quarta-feira. O gerente da área, Carlos Alberto Bezerra, convivia com Francisco há quatro anos e o descreveu como uma pessoa de muita fé:

— Era um ótimo trabalhador. Um cara que sempre retribuiu os trabalhadores com a religião dele. Trabalhava o dia inteiro cantando hino de igreja — conta o gerente.

De acordo com a Comlurb, Fracisco foi levado para o Hospital Getúlio Vargas, mas não resistiu aos ferimentos. Ele trabalhava na empresa há 21 anos, era casado e deixa um filho de 18 anos. A Polícia Civil informou que instaurou inquérito na Delegacia de Homicídios para apurar a morte do gari e que a investigação está em andamento. A Polícia Militar afirmou que não realizou operação na Comunidade do Juramento esta manhã.

Francisco foi baleado durante um assalto a Mateus Fernandes Félix da Silva, que teve a moto roubada e também foi atingido. De acordo com a PM, Mateus ainda está internado no hospital.

Em junho deste ano, outro gari foi vítima de bala perdida na mesma rua em uma perseguição policial. O funcionário da Comlurb, que não teve a identidade revelada, foi atingido de raspão no braço enquanto fazia coleta de lixo na região. Ele foi atendido no Hospital Getúlio Vargas e liberado.

A família pretende fazer o enterro de Francisco no cemitério de Ricardo de Albuquerque, mas ainda não há confirmação do lugar e nem do horário.