Uma semana após a morte de Cadu Barcellos, frequentadores da Pedra do Sal falam sobre insegurança na região

Luana Dandara
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Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo

Uma semana após a morte do cineasta Cadu Barcellos, de 34 anos, frequentadores do samba da Pedra do Sal, na Saúde, lamentaram a tragédia e falaram sobre a insegurança da região. Nesta segunda-feira, a roda reuniu cerca de 300 pessoas, mas apesar da aglomeração, ninguém usava máscara e não havia policiamento por parte da Guarda Municipal ou Polícia Militar.

Cadu tinha deixado o evento, no Centro do Rio, que acontece tradicionalmente às segunda-feiras. Depois de pegar carona com uma amiga, desembarcou na Avenida Presidente Vargas, esquina com a Rua Uruguaiana, quando foi esfaqueado, por volta das 3h. A professora de Educação Física Lorena de Andrade, de 28 anos, que foi ao samba nesta segunda-feira, conta que conhecia o cineasta por meio de amigos em comum.

— Eu não estava aqui na semana passada, mas soube que ele estava muito feliz curtindo o samba. Era um cara alto-astral. Vi o assassinato pelos jornais e me assustei, dá medo. Mas não é novidade a insegurança dessa região, aqui tudo é perigoso.

Moradora do Rio Comprido, na Zona Norte, Lorena contou ficar sempre fica atenta ao horário de ir embora pra casa quando vai à Pedra do Sol.

— Procuro sempre voltar umas 23h e nunca sozinha. Porque chega certa hora, a segurança, que já é ruim, fica pior. Não vejo policiamento. É uma pena, porque o samba é muito bom e é um lugar histórico. Mas infelizmente todos os lugares históricos da cidade estão abandonados hoje em dia.

Integrante da roda de samba, o músico Felipe Moreira, de 35 anos, lamentou a morte de Cadu.

— É muito triste acontecer algo assim depois do nosso samba, mostra a ausência do poder público em relação à segurança. Uma tragédia mesmo. Não o conhecia, mas todos da roda têm respeito e consideração, ele também era um artista.

Acompanhado de dois amigos, Ebert Mendes, de 26 anos, voltou pela primeira vez ao samba da Pedra do Sal desde o início da pandemia. Ele reclama da falta de policiamento.

— Fiquei receoso depois do caso do Cadu Barcellos, a gente se assusta mesmo. Eu faço o mesmo percurso que ele pra voltar pra casa, e apesar de ser homem busco sempre voltar com alguma companhia, me sinto menos vulnerável. E atento ao horário também, o quanto mais cedo sair daqui é melhor. O trajeto sempre foi perigoso, mas não achei que chegaria a esse ponto. Não tem policiamento. Centro Presente depois das 21h não existe mais — contou.