Rússia ataca EUA na ONU por situação na cidade síria de Al Raqqa

Nações Unidas, 17 abr (EFE).- A Rússia criticou os Estados Unidos nesta terça-feira durante reunião do Conselho de Segurança da ONU devido à situação na cidade síria de Al Raqqa, libertada no ano passado das mãos do grupo terrorista Estado Islâmico (EI) por uma coalizão de milícias curdas que tem o apoio dos americanos.

"Al Raqqa está em ruínas. Literalmente, não há um único edifício de pé. Sob os escombros estão milhares de corpos", denunciou o embaixador russo na ONU, Vasyl Nebenzia, durante a reunião, convocada a pedido do Kremlin para discutir a situação na cidade.

Nebenzia disse que a coalizão apoiada pelos EUA expulsou o EI de Al Raqqa há mais de seis meses com uma "dura" campanha de bombardeios, ocupando territorialmente a região.

Desde então, segundo o embaixador russo, a reconstrução de Al Raqqa não avançou e a população local enfrenta grandes riscos.

"A única solução eficaz é restabelecer as estruturas do Estado na cidade", defendeu Nebenzia.

Os EUA responderam que as operações contra o EI ocorreram dentro das regras internacionais, buscando sempre minimizar as mortes de civis. E acusou o presidente da Síria, Bashar al Assad, e seus aliados, entre eles a Rússia, de combater grupos opositores do regime, não as organizações terroristas.

A representante americana na reunião, Kelley Currie, também afirmou que o governo da Síria está dificultando a chegada de ajuda humanitária a Al Raqqa. Para ela, a reunião de hoje é parte da campanha para tirar de foco as atrocidades cometidas por Al Assad.

Os dois países também voltaram a trocar acusações sobre os últimos eventos na Síria. Nebenzia reafirmou que os ataques lançados por EUA, França e Reino Unido contra posições na Síria, em resposta a um suposto ataque químico ordenado por Al Assad, complicam uma possível negociação de paz. EFE