Unesco pede a proteção dos bens comuns da Humanidade

(Agosto) Vista aérea do desmatamento em Altamira, Pará

A diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, apelou nesta sexta-feira para o "reforço das ferramentas", como a Convenção do Patrimônio Mundial, para proteger os bens comuns da Humanidade.

"As ferramentas existem, a Convenção do Patrimônio Mundial ou a rede de zonas de biosfera da Unesco são exemplos e conciliam o respeito pela soberania e a gestão cooperativa de bens comuns", disse Azoulay à AFP, enquanto as chamadas se multiplicam para criar "espaços vitais" do planeta que seriam gerenciados em comum.

"Precisamos fortalecer essas ferramentas, pressionar mais Estados a ratificá-las, aumentar as áreas protegidas, fortalecer os meios de monitoramento e implementação. É através disso, investindo mais e melhor, que encontraremos soluções de longo prazo", acrescentou.

Seis países da América do Sul devem lançar nesta sexta-feira durante uma cúpula na Colômbia dedicada à Amazônia um apelo internacional para a preservação da maior floresta tropical do mundo. Essencial para o equilíbrio climático, é devastada por incêndios e desmatamento.

"A noção de bens comuns, cuja transmissão às gerações futuras diz respeito a todo o mundo, está na própria origem da Convenção do Patrimônio Mundial da Unesco desde os anos 1970 e é ilustrada em lugares como a Amazônia, mas também recife de coral, floresta tropical africana ou patrimônio marinho", acrescentou Azoulay.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura argumenta que elevou "consideravelmente" o nível de proteção das áreas naturais e culturais através da lista do Patrimônio Mundial e do programa sobre o homem e a biosfera (MAB), informou à AFP Guy Debonnet, do programa especializado em natureza e turismo sustentável.

Atualmente, existem 12 reservas da biosfera na Amazônia e seis milhões de hectares da floresta amazônica, o que representa 1% da área total, inscritos no patrimônio mundial. "No momento, nenhum desses locais foi tocado e continuamos extremamente vigilantes", disse Mechtild Rossler, diretora do Centro do Patrimônio Mundial.

"A Unesco está aqui para ajudar, apoiar, orientar, mas não pode substituir a responsabilidade do Estado soberano", lembrou Rossler.

No entanto, "os mecanismos sempre podem ser aprimorados", reconhece Miguel Clusener-Godt, diretor da divisão de ciências ambientais. "Mas temos que pensar a longo prazo: estamos trabalhando em um projeto que disseminará boas práticas locais sustentáveis que possam fornecer à Amazônia uma renda alternativa de pecuária extensiva, mineração ou de extração de madeira ", explica.