União Africana denuncia promessas vazias de países ricos sobre vacinas anticovid

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Uma enfermeira administra uma dose da vacina Pfizer a um homem idoso em um hospital em Germiston, África do Sul, 17 de maio de 2021 (AFP/Michele Spatari)

A autoridade de Saúde da União Africana atacou, nesta quinta-feira (9), os líderes mundiais que não cumpriram suas promessas de compartilhar as vacinas contra a covid-19 com as populações mais pobres, enquanto a África enfrenta um ressurgimento da pandemia.

Em toda a África, onde se superou a marca de 200.000 mortos na terça-feira, o número de casos aumenta a um ritmo alarmante.

Mais de 40 países vivem uma terceira onda, seis já estão combatendo uma quarta, enquanto a vida volta à normalidade em muitos países ricos graças às altas taxas de imunização.

Apenas 3,18% dos 1,3 bilhão de habitantes da África foram totalmente imunizados. Esses atrasos se devem à escassez de doses disponíveis, mas também à desconfiança de parte da população em relação às vacinas.

"Não podemos continuar politizando essa situação, fazendo declarações que não levam a compromissos firmes", disse o diretor dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças, John Nkengasong.

"As promessas não fazem chover vacinas", destacou em coletiva de imprensa online.

As principais potências do G7 se comprometeram em junho a compartilhar um bilhão de vacinas contra o coronavírus com os países em desenvolvimento, em vez das 130 milhões prometidas em fevereiro.

O plano do G7 também inclui compromissos para evitar futuras pandemias, como a redução dos prazos de desenvolvimento e certificação das vacinas, o fortalecimento da vigilância mundial e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

No entanto, segundo Nkengasong, a chegada das doses prometidas ainda não se materializou na África. "Não vimos um bilhão de vacinas", disse.

Ele denunciou uma "diplomacia das vacinas segundo a qual as pessoas fazem discursos nos jornais que, no final, não se refletem na realidade".

Na quarta-feira, a OMS pediu novamente aos países ricos que priorizem a distribuição das primeiras doses aos profissionais da saúde e às populações vulneráveis dos países mais pobres, em vez de fornecer doses de reforço aos seus próprios cidadãos.

Segundo suas estimativas, a África precisará de 1,5 bilhão de doses de vacinas para imunizar 60% de seus habitantes.

"Não venceremos esta guerra contra a pandemia se não vacinarmos todos rapidamente", insistiu Nkengasong. "Caso o contrário, teremos que nos preparar para viver com este vírus como uma doença endêmica", concluiu.

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