União de Aliansce e BRMalls finalmente se confirma e cria gigante brasileira de shoppings de R$ 12 bi

Depois de cerca de seis meses de idas e vindas, a Aliansce Sonae, dona do Shopping Leblon (Rio), e a BRMalls, que controla NorteShopping (Rio) e Villa-Lobos (SP), anunciaram a aprovação fusão de suas operações. Juntos, os dois grupos terão valor de mercado de R$ 12 bilhões com 69 shoppings no Brasil e cerca de 13 mil lojas, que recebem aproximadamente 60 milhões de visitantes por mês.

A combinação das duas empresas ainda depende do aval do Cade, que regula a concorrência no Brasil, mas foi aprovada nesta quarta-feira pela maior parte dos acionistas da BRMalls em asembleia. Era o último passo societário para concretizar o negócio.

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Juntas, apontam especialistas no setor, as duas empresas ganham mais fôlego para competir com a Multiplan, um dos maiores grupos do setor no Brasil, dono do BarraShopping e do VillageMall no Rio, além de shoppings de referência em cidades como Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador e Ribeirão Preto.

Estratégia 'figital'

Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Rafael Sales, presidente da Aliansce Sonae, e Ruy Kameyama, da BRMalls, destacaram que os acionistas das duas companhias aprovaram a combinação dos negócios em assembleias gerais extraordinárias na tarde desta quarta-feira.

No comunicado, os dois executivos lembraram que a fusão vai gerar “potencial de expandir fronteiras”. Lembraram ainda que, após aprovado pelo Cade, o negócio “vai permitir investimentos mais robustos para manter os ativos atualizados e o desenvolvimento da estratégia de negócios no ambiente "figital" (uma união entre o físico e o digital), condição fundamental para a competitividade em longo prazo”.

Venda para se antecipar ao Cade

Para aprovar o acordo no Cade, as empresas já teriam acertado a venda de seis shoppings, com uma lista de interessados, diz uma pessoa a par das conversas.

Segundo Antônio César Carvalho, professor da Fundação Getulio Vargas e sócio da Acomp Consultoria, a fusão vai gerar reflexos no setor de shoppings.

-- Serão 69 shoppings sob o comando do mesmo grupo, bem superior em quantidade e faturamento em relação a seus principais concorrentes Multiplan e Iguatemi -- disse Carvalho.

Ele continua:

-- Se bem desenvolvida, (a combinação de negócios) deverá proporcionar à nova companhia a liderança comercial desse mercado, sinergias e ganhos de escala, além de uma maior capacidade de investimento. Do outro lado, os operadores, assim como os lojistas dos empreendimentos comerciais, poderão vir a ter negociações mais complexas.

Longa negociação

No início deste ano, a Aliansce apresentou proposta para se unir à BRMalls, que recusou inicialmente a proposta. Depois de muitas conversas, a BRMalls aceitou a terceira proposta da rival. Segundo especialistas, o negócio vai criar a maior administradora de shoppings da América Latina, com R$ 38,5 bilhões de faturamento.

A operação envolve troca de pagamento em dinheiro e uma relação de troca de ações. Na negociação, os acionistas da BRMalls vão receber R$ 1,25 bilhão em dinheiro.

Na relação de troca entre as duas companhias, a Aliasnce vai entrar com 326,3 milhões de ações - na proporção de 0,39 ação por papel da BRMalls. Essa era uma demanda da BRMalls, que chegou a fazer uma queixa no Cade por conta do apetite da rival.

Enquanto a BRMalls recusava a oferta da rival, a Aliansce Sonae vinha aumentando sua participação na empresa. Uma fonte destacou que a Aliansce, com o fundo Canadian Pension Plan (CPP), tinha 10% das ações da BRMalls.

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