União Brasil deve apoiar Lira e remover último obstáculo à reeleição na Câmara

***FOTO DE ARQUIVO*** BRASÍLIA, DF, 30.08.2022 - O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). (Foto: Gabriela Biló/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** BRASÍLIA, DF, 30.08.2022 - O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). (Foto: Gabriela Biló/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O comando da União Brasil deve anunciar na próxima semana o apoio à reeleição de Arthur Lira (PP-AL) à presidência da Câmara. O acordo removeria um dos últimos obstáculos à permanência do deputado no comando da Casa no ano que vem.

Com 59 deputados eleitos, o partido vinha sendo cobiçado tanto por Lira como por parlamentares interessados em lançar uma candidatura alternativa à do atual presidente da Câmara. O dirigente da União Brasil, Luciano Bivar (PE), trabalhava para viabilizar seu nome na disputa.

O acerto a favor da reeleição de Lira avançou numa reunião na noite da última quarta-feira (16). Além do presidente da Câmara e de Bivar, estavam presentes Ciro Nogueira (ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro e presidente licenciado do PP) e ACM Neto (secretário-geral da União Brasil), entre outros políticos das duas legendas.

O anúncio do apoio está previsto para a próxima quarta-feira (23). No dia anterior, a União Brasil deve reunir a bancada de deputados eleitos para obter o aval dos parlamentares.

Além da aliança na Câmara, o partido pretende dar início à criação de uma federação com o PP -que criaria uma aliança formal entre os dois partidos pelos próximos quatro anos.

"A tendência é compor com Lira por conta do espaço [que será destinado à União Brasil na Câmara] e da federação", disse Bivar à reportagem.

A União Brasil quer ter o direito de escolher três lugares de destaque na mesa diretora da Câmara e entre as comissões mais relevantes da Casa. Um espaço que já foi pleiteado pelo partido é a presidência da CMO (Comissão Mista do Orçamento).

"O que nós queremos é espaço para a bancada pensando no nosso tamanho, é o que mais importa para gente", acrescentou Bivar.

Segundo o ministro Ciro Nogueira (Casa Civil), presidente licenciado do PP, uma comissão será formada para avaliar a criação da federação.

Esse tipo de aliança prevê que, unidas, as siglas tenham que disputar conjuntamente as eleições municipais, estaduais e nacionais durante quatro anos. Por isso, é preciso resolver divergências regionais antes que ela seja formalizada.

O acordo da União Brasil com Lira deve consolidar o bloco que apoia a recondução do presidente da Câmara. A eleição para o comando da Casa ocorre em fevereiro de 2023.

Lira larga na disputa com PP, PL e Republicanos, que têm 187 deputados eleitos. Estão prontos para se somar a esse bloco o PSD (42 deputados) e, agora, a União Brasil (59) -o que daria à sua candidatura o apoio de partidos que têm 288 dos 513 parlamentares.

Segundo aliados do presidente da Câmara, quatro legendas devem anunciar seu apoio a Lira na semana que vem, além da União Brasil.

O atual presidente da Câmara acelerou nas últimas semanas as articulações para obter declarações públicas a favor de sua reeleição.

A ideia era se antecipar à formação de uma base de partidos que dará sustentação ao governo Lula (PT). Com isso, ele pretende evitar que aliados do petista tenham espaço para lançar um candidato forte para disputar a presidência da Câmara.

A adesão da União Brasil praticamente inviabiliza possíveis adversários. Os partidos que fizeram parte da aliança de Lula na eleição elegeram 136 deputados. Para ter musculatura suficiente para enfrentar Lira, seria preciso contar com o apoio da União Brasil, do PSD e do MDB.

Com as duas primeiras legendas prestes a anunciar apoio à reeleição do presidente da Câmara, a conta não fecha. O MDB ainda tem planos de articular uma candidatura própria, numa movimentação que envolve o senador Renan Calheiros (AL) e o deputado eleito Eunício Oliveira (CE).

A equipe de Lula, no entanto, já enviou sinais públicos e reservados de que não pretende interferir na disputa ou trabalhar pela candidatura de nenhum deputado. O objetivo é evitar que, em caso de derrota, o presidente eleito na Câmara se torne um adversário do governo.

Antes de se reunir com o presidente da Câmara, Bivar teve um encontro com a presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR). Na ocasião, o chefe da União Brasil questionou a dirigente sobre os espaços que a sigla poderia ter na Câmara se formasse um bloco com o PT --o dirigente da União Brasil ainda tinha interesse em disputar o comando da Casa.

A petista disse que teria que consultar os demais partidos que já compõem o arco de aliança ao redor de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"O PT tem que contemplar muita gente. Entendo a posição da Gleisi. Gleisi é uma pessoa por quem eu tenho a maior admiração, mas no momento em que o PT diz que não tem candidato à presidência [da Câmara], embora pudesse ter outro pensamento lá na frente, eu tenho que resolver antes de tudo o meu partido", afirmou Bivar.

Embora caminhe para formar um bloco com Lira, a União Brasil mantém negociações abertas com o futuro governo para integrar a base aliada de Lula. Além da conversa com Gleisi, dirigentes da legenda também já se reuniram com o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB).

"Essa discussão de base é outra coisa. Nesse primeiro momento, somos independentes", disse Bivar.

Aliados de Lira acreditam que os acordos que devem ser anunciados na próxima semana podem estimular o governo a endossar publicamente sua reeleição.

Esse quadro poderia ser concretizado pela entrada do PT no bloco de partidos pró-Lira. As primeiras conversas entre o presidente da Câmara e dirigentes petistas com esse objetivo ocorreram nos últimos dias.

No encontro que teve com Bivar, Gleisi não descartou que o PT possa migrar para o bloco de Lira futuramente.

Caso o PT entre no bloco, isso significa que eles terão direito a ocupar espaços na mesa diretora da Câmara, devido ao tamanho da bancada da federação formada pela sigla com PV e PC do B: 80 deputados.

Com a quantidade de parlamentares, essa seria a segunda maior bancada -atrás apenas do PL, que tem 99 deputados eleitos.

O PL, por sua vez, poderá ocupar a primeira vice-presidência da Câmara ou a primeira secretária, que terá um orçamento bilionário para usar no ano que vem.