União Brasil retira pré-candidatura de Garotinho ao governo do Rio

A Executiva nacional do União Brasil decidiu retirar a pré-candidatura de Anthony Garotinho ao governo do Rio. O nome de Garotinho foi descartado após encontro, na tarde desta terça, entre o presidente nacional da legenda, Luciano Bivar, e o líder do diretório fluminense, Wagner dos Santos Carneiro. Horas antes, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski rejeitou a ação movida pelo ex-governador, o que, na prática, mantém sua inelegibilidade para as eleições deste ano. Em paralelo, caciques do União faziam pressão para que a candidatura fosse retirada e a sigla declarasse apoio ao governador Cláudio Castro (PL), que tenta a reeleição.

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A esta equação, soma-se também o fato de a pré-candidatura de Garotinho não ter alcançado os índices almejados nas pesquisas de opinião de votos. A última pesquisa Datafolha, do início do mês, mostra que ele aparece na terceira posição, com 7% dos votos, atrás de Marcelo Freixo (PSB) e Cláudio Castro (PL), que pontuaram 22% e 21%, respectivamente. Em nota, Garotinho informou que define até a próxima sexta se será candidato à Câmara dos Deputados.

Filha de Garotinho, a deputada federal Clarissa Garotinho (União) será candidata ao Senado pela legenda. Na reunião, ficou alinhado que os membros da família Garotinho não terão a obrigação de apoiar Castro à reeleição.

Partido vivia guerra interna por candidatura

Nas últimas semanas, uma guerra de manifestos e dúvidas sobre a veracidade da assinatura de um dirigente elevaram a temperatura da disputa interna no diretório fluminense do União Brasil, que oscilava entre apoiar a reeleição do governador de Castro e lançar Garotinho na corrida eleitoral. Auxiliares do presidente estadual do União — e atual prefeito de Belford Roxo — Waguinho solicitaram a inclusão de Garotinho em pesquisas de intenções de voto. Dias depois, mais de cem lideranças e pré-candidatos do partido figuraram numa declaração de apoio à reeleição de Castro, divulgada por apoiadores do governador. Horas depois, Waguinho posou com Castro após lançamento de seu comitê de campanha.

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Em meio à indefinição sobre a posição do partido, Waguinho viajou a Brasília, onde estava prevista uma reunião com a cúpula nacional do União.

A dúvida sobre os rumos do União na campanha do Rio ganhou novos ingredientes após o pedido para que Garotinho constasse como pré-candidato ao governo em pesquisas e entrevistas ser assinado pelo vice-presidente estadual do partido, Algacir Maeder Moulin. Ex-assessor parlamentar de Waguinho e ex-presidente do MDB em Belford Roxo, na época em que o prefeito era filiado ao partido, Algacir já havia constado anteriormente como signatário de uma nota, em maio, afirmando que a “maioria dos filiados do partido já decidiu” apoiar a reeleição de Castro. A assinatura desta nota, contudo, é diferente da que aparece no pedido pró-Garotinho.

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O GLOBO consultou documentos assinados por Algacir e enviados à Justiça Eleitoral como dirigente do MDB, em 2020, e constatou que a assinatura nesses papéis é similar à do documento pró-Garotinho, e diverge da nota de apoio a Castro em maio. Algacir não aparece entre os 14 membros da Executiva estadual do União que assinaram, no sábado, o manifesto pró-Castro. Procurado, ele reconheceu que a diferença ao assinar a nota de maio gerou dúvidas sobre sua veracidade, e justificou o fato pela “correria” para divulgar o apoio a Castro na ocasião.

— É verdade (risos). Mas fui eu que assinei mesmo. Waguinho não estava presente no momento e havia a urgência da assinatura. Quanto ao apoio, estamos caminhando para o governador, mas até a convenção no dia 31 fica em aberto — avaliou.

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