União Europeia aprova projeto de R$ 29 bilhões para desenvolvimento de hidrogênio verde

Pressionada pela disparada nos preços do gás natural após a guerra na Ucrânia, a Comissão Europeia deu um mais passo em direção ao uso de energia gerada a partir de hidrogênio verde ao aprovar um projeto de € 5,4 bilhões (cerca de R$ 29 bilhões) para incentivar projetos com a tecnologia.

O projeto envolve 15 países da União Europeia e prevê o financiamento de infraestrutura e de pesquisas para o uso do hidrogênio. O plano prevê a construção de eletrolisadores para uma produção anual de 10 gigawatts de energia de hidrogênio.

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A UE quer produzir 10 milhões de toneladas de hidrogênio verde e importar o mesmo do exterior até o final da década.

— Promover o desenvolvimento e a implantação de hidrogênio limpo na Europa é essencial para nossa segurança energética, nossa descarbonização e a competitividade de nossa indústria. A Europa tem a visão e o poder de fogo para alcançar a liderança industrial em tecnologias verdes estratégicas — disse Thierry Breton, comissário do mercado interno, em comunicado.

O anúncio da Comissão Europeia ocorre no momento em que a UE procura cortar sua dependência do gás natural russo e acelerar rapidamente o fornecimento e o uso de hidrogênio verde, visto como uma peça-chave para ajudar a descarbonizar as indústrias mais intensivas em energia, como aço e cimento.

A proposta precisa ser aprovada entre os países da União Europeia para ser ratificada no Parlamento Europeu, quando o projeto pode começar a ser desenvolvido.

Gigantes do petróleo consideram ampliar transição energética

Empresas europeias também estão de olho no mercado do hidrogênio verde. Com caixas turbinados pela alta dos preços do petróleo, gigantes petroleiras estão considerando turbinar sua transição para energia limpa a partir de aquisições multibilionárias de grandes produtores de energia renovável.

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Shell, TotalEnergies e Equinor estão entre as empresas que avaliaram a adequação das concessionárias europeias para aquisições, segundo fontes. Os alvos potenciais incluem alguns dos maiores produtores eólicos e solares da região, como Iberdrola, Orsted e SSE Renewables.

Até agora, a indústria adotou uma abordagem incremental, expandindo seus portfólios de energia limpa projeto por projeto. Mas o aumento nos lucros das grandes petrolíferas nos últimos seis meses pode significar que uma aquisição está ao alcance, de acordo com fontes que pediram para não serem identificadas porque a informação é privada.

— Essas empresas têm muito dinheiro agora e balanços muito mais fortes. (...) Faz sentido para eles comprar ativos em vez de construí-los. É mais simples comprar, agilizar suas metas de gigawatt, permitindo assim a descarbonização — disse Christyan Malek, chefe global de estratégia de energia do JPMorgan Chase & Co.

Hidrogênio verde, o 'combustível do futuro'

O hidrogênio já é utilizado hoje, porém é produzido a partir de combustível fóssil, liberando dióxido de carbono na atmosfera. O processo mais pesquisado hoje na busca para sua produção em escala industrial é por meio da eletrólise, que consiste na passagem de uma corrente elétrica pela água para separar o oxigênio do hidrogênio.

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Considerado o 'combustível do futuro', o hidrogênio verde é obtido a partir de fontes de energia renováveis, como eólica, solar e hídrica. No Brasil, o hidrogênio verde vêm atraindo pesos pesados do setor como a francesa Engie e a petrolífera Shell.

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