União Química espera autorização de uso emergencial da Sputnik V no Brasil na próxima semana

Anthony Boadle
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Vacinação contra Covid-19

Por Anthony Boadle

BRASÍLIA (Reuters) - A farmacêutica brasileira União Química espera que a Anvisa aprove o uso emergencial no Brasil da vacina russa Sputnik V contra Covid-19 na próxima semana, disse o diretor de negócios internacionais da empresa, Rogério Rosso, nesta sexta-feira.

Ele afirmou à Reuters que a empresa espera trabalhar em um contrato até quarta-feira com o Ministério da Saúde para 10 milhões de doses iniciais importadas considerando o preço de referência de 10 dólares por dose.

O ministério, segundo Rosso, está interessado em comprar toda a produção da Sputnik V da empresa, planejada em 8 milhões de doses por mês a partir de abril, para o programa nacional de imunização do Brasil.

Rosso pediu à Anvisa que não demore na aprovação da vacina porque outros países estão na fila para adquiri-la, dada a sua produção limitada na Rússia e grande demanda mundial.

“As prateleiras do mundo não estão estocadas com vacinas para Covid-19. Não tem vacina. A gente precisa ser célere”, disse ele, que confia que a Anvisa agirá com velocidade.

As primeiras doses dos 10 milhões prometidos pela Rússia estão prontas para despacho ao Brasil assim que a Anvisa der o sinal verde.

Com a aprovação do Líbano na sexta-feira, a Sputnik V foi autorizada para uso de emergência em 18 países além da Rússia, disse o Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF), que está comercializando a vacina. A vacina de duas doses tem eficácia de 91,6%, de acordo com dados publicados na terça-feira na publicação médica The Lancet.

O presidente-executivo do RDIF, Kirill Dmitriev, disse que o Brasil pode se tornar um fornecedor da Sputnik V para seus vizinhos na América Latina, onde seis países aprovaram a vacina, incluindo a Argentina, que começou a vacinar sua população com o imunizante em dezembro.

Ex-parlamentar e ex-governador do Distrito Federal, Rosso disse que isso agora terá que esperar, com os planos do governo brasileiro de comprar a produção da União Química, pelo menos até que a empresa eleve sua produção mais adiante neste ano com mais equipamentos.

Rosso e o controlador da empresa, Fernando Marques, tiveram uma reunião de duas horas e meia nesta manhã com o secretário-executivo do Ministério de Saúde, Elcio Franco, e a equipe do Programa Nacional de Imunização, na qual foi "formalizado" o interesse do governo em comprar a vacina Sputnik V.