União Social-Democrata alemã sofre pressão para debater coalizão de governo

Por Andrea Shalal
Chanceler alemã Angela Merkel durante sessão do Parlamento em Berlim 21/11/2017 REUTERS/Axel Schmidt

Por Andrea Shalal

BERLIM (Reuters) - A União Social-Democrata da Alemanha (SPD, na sigla em alemão) sofreu pressão nesta quarta-feira para cogitar procurar os conservadores da chanceler Angela Merkel e debater uma coalizão de governo para resolver a pior crise política da história alemã moderna.

Uma autoridade do Partido Democratas Livres (FDP), uma sigla menor, também aventou a possibilidade de ressuscitar as conversas sobre uma coalizão com os conservadores e os Verdes, que fracassaram no final de semana e provocaram temores europeus de um impasse na potência econômica e política da União Europeia – mas mais tarde o chefe da sigla pareceu descartar a ideia.

Os sinais de uma possível flexibilidade surgiram depois que o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, em um gesto inédito para o ocupante de um cargo essencialmente simbólico, interveio para defender conversas que poderiam evitar a convocação de uma eleição antecipada problemática.

O líder do SPD, Martin Schulz, cujo partido governava como parte da coalizão sob o comando de Merkel desde 2013, quer ir para a oposição desde que a eleição de setembro reduziu seu apoio a seu nível mais baixo desde a formação da república alemã moderna em 1949.

Mas o jornal Bild disse que 30 dos 153 parlamentares do SPD questionaram essa posição nesta semana em uma reunião da legenda.

Johannes Kahrs, integrante do SPD e porta-voz do Seeheimer Circle, uma ala conservadora do partido, exortou Schulz a manter a mente aberta quando se encontrar com Steinmeier na quinta-feira.

Kahrs disse ao jornal Passauer Neue Presse que o fiasco das conversas sobre uma coalizão mudou a situação. "Não podemos simplesmente dizer ao presidente alemão 'Lamentamos, acabou'".

Segundo o Bild, o ministro das Relações Exteriores, Sigmar Gabriel, que transferiu a liderança do SPD a Schulz e assumiu a chancelaria neste ano, também é favorável a uma retomada da grande coalizão.

A Alemanha, tradicionalmente um bastião de estabilidade da UE, pode enfrentar meses de estagnação política, o que complicaria mais uma iniciativa de reformas na governança da zona do euro e políticas de defesa e concessão de asilo do bloco.

Merkel, que continua como chanceler interina até um governo ser formado, disse que preferiria trabalhar com o SPD. Se isso não der certo, seria a favor de novas eleições ao invés de um governo de minoria instável.

Nicola Beer, secretária-geral do pró-empresariado FDP, disse à emissora NTV que sua sigla não descartaria retomar as tratativas sobre uma coalizão tripartite se os conservadores de Merkel e os Verdes oferecessem um "pacote completamente novo" de propostas – mas o chefe do partido, Christian Lindner, disse à revista Spiegel: "No futuro previsível, é impossível imaginar uma cooperação com os Verdes no nível federal".

Uma nova pesquisa divulgada nesta quarta-feira mostrou que metade dos alemães gostaria de novas eleições e que um quinto apoiaria um governo de minoria.

(Reportagem adicional de Michael Nienaber e Andreas Rinke)