União tenta vender prédio A Noite pela terceira vez e baixa o preço em 60%

Pela terceira vez em dois anos, a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) tenta vender nesta quinta-feira, em concorrência virtual, um dos marcos arquitetônicos ícones da história do estilo art-déco do Rio. Construído no fim dos anos 1920 e na época considerado o maior arranha-céu da América Latina, o Edifício Joseph Gire, mais conhecido como A Noite será leiloado por R$ 38,5 milhões. O valor é 60,71% inferior aos R$ 98 milhões que o governo federal cotou na primeira tentativa, em abril de 2021.

A aposta do mercado é que caso haja comprador, o imóvel localizado na Praça Mauá seja parcialmente ou integralmente convertido em prédio residencial, por estar em uma área da Zona Portuária que se valorizou por conta do projeto Porto Maravilha. Mas documentos anexos ao edital mostram que o prédio terá que passar por muitas intervenções para recuperar o prédio, que é tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico Nacional (Iphan).

O órgão apontou ainda para a necessidade de recompor marquises, reconstituir elementos decorativos de todas as fachadas, incluindo a instalação de persinas de enrolar nos vãos e reformar as marquises. As fachadas do térreo também estão descaracterizadas e precisariam de intervenções.

Mesmo fechado desde 2012, quando a Rádio Nacional foi o último órgão público a deixar o local, o imóvel continua gerando despesas. Sem uso, sua manutenção custa aos cofres públicos R$ 2,4 milhões por ano, segundo o superintendente da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), Paulo da Silva Medeiros, no processo que autorizou o novo leilão.

Depois da licitação inicial em abril de 2021, houve uma nova tentativa em junho do mesmo ano, ,quando a União reduziu valor mínimo para venda para R$ 73,5 milhões. Mas, novamente, a licitação foi deserta.

Dessa vez, a nova tentativa ocorre depois que um novo laudo de avaliação foi apresentado pela iniciativa privada interessada em disputar o negócio. Mas houve discordância em relação ao valor mínimo de venda. O laudo independente, contratado pela empresa CBR 130 Empreendimentos Imobiliários (ligado à construtora RJZ) estimou que o arranha-céu valeria R$ 23,3 milhões. Em um dos anexos do processo que fundamenta a licitação, aparecem anexadas, várias fotos sobre as condições atuais do edifício.

Imagens da cobertura do prédio mostram o piso em péssimo estado de conservação. Em uma das salas é possível observar sinais de ferrugem e de umidade nas paredes. No 20º andar, é possível observar pedaços de madeira soltos em uma sala e no corredor. Nos 20º e 19º andares, partes do forro estão soltas.

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