União Brasil protocola queixa-crime no MP contra Camilo Cristófaro por racismo

Camilo Cristófaro foi acusado de racismo após áudio vazar no plenário da Câmara Municipal de São Paulo (Foto: Richard Lourenço / Rede Câmara)
Camilo Cristófaro foi acusado de racismo após áudio vazar no plenário da Câmara Municipal de São Paulo (Foto: Richard Lourenço / Rede Câmara)

Resumo da notícia

  • União Brasil entrou com uma queixa-crime contra Camilo Cristófaro

  • Vereador é acusado de racismo após áudio vazar durante sessão na Câmara

  • Vereador Luana Alves protocolou denúncia na Delegacia de Crimes Raciais

O União Brasil protocolou uma queixa-crime no Ministério Público contra Camilo Cristófaro (sem partido) por racismo. A decisão foi tomada após um áudio do vereador vazar na sessão da Câmara Municipal de São Paulo na última terça-feira (3). Na ocasião, foi possível ouvir o deputado dizendo "Não lavar a calçada... É coisa de preto, né?".

Em nota, o União Brasil justificou que Cristófaro "extrapolou os limites do direito de opinião e de manifestação de pensamento ao proferir falas racistas. Tal conduta foi indecente, desrespeitosa, criminosa e não pode passar incólume".

Além disso, a legenda também protocolou uma representação na Corregedoria da Câmara Municipal de São Paulo. Segundo o União Brasil, o caso reforça o racismo estrutural. "Nesta e em nenhuma circunstância pode ser visto como uma brincadeira ou deslize, ainda mais em uma Casa Legislativa. Nestes casos, temos de ser enérgicos, contundentes e intolerantes no combate ao racismo e, por isso, recomendamos a cassação do vereador", diz a nota, assinada pelo deputado federa Alexandre Leite, tesoureiro do partido.

Queixa na Delegacia de Crimes Raciais

A vereadora Luana Alves (Psol-SP) protocolou uma denúncia contra Camilo Cristófaro (sem partido) por racismo na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância. A decisão foi tomada após o vereador ter dito uma frase considerada racista durante sessão da Câmara Municipal de São Paulo na última terça-feira (3).

“Estou chegando na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância com as documentações que comprovam a prática de racismo do vereador Camilo Cristófaro na Câmara, ontem”, afirmou Luana. A vereadora foi a primeira a se pronunciar após o áudio de Cristófaro, que participava da sessão remotamente, vazar no plenário.

"Qualquer pessoa que sofre crime de racismo pode vir no Decradi e abrir um pedido para que se investigue esse crime. Todo mundo viu que o vereador Cristófaro, ontem, no meio da CPI dos Aplicativos, falou que alguém não lavar a calçada 'é coisa de preto'. Só que, para nós, 'coisa de preto' é lutar contra o racismo e lutar contra injustiça", disse a vereadora.

Leia a nota completa do União Brasil:

O União Brasil São Paulo entrou com queixa-crime no Ministério Público de São Paulo nesta quarta-feira (04) por crime de racismo contra o vereador Camilo Cristófaro (PSB) após áudio vazado durante sessão da CPI dos Aplicativos, de terçafeira (03), em que profere fala racista – “Não lavar a calçada... É coisa de preto, né?”.

O vereador extrapolou os limites do direito de opinião e de manifestação de pensamento ao proferir falas racistas. Tal conduta foi indecente, desrespeitosa, criminosa e não pode passar incólume.

O partido protocolou, ainda, uma representação na Corregedoria da Câmara Municipal de São Paulo pois a conduta do vereador Camilo Cristófaro é incompatível com a de um parlamentar.

O episódio reforça o racismo estrutural. Nesta e em nenhuma circunstância pode ser visto como uma brincadeira ou deslize, ainda mais em uma Casa Legislativa. Nestes casos, temos de ser enérgicos, contundentes e intolerantes no combate ao racismo e, por isso, recomendamos a cassação do vereador

Duas versões

O vereador de São Paulo Camilo Cristófaro deu duas versões diferentes para explicar a fala. O caso aconteceu durante sessão da Câmara Municipal na última terça-feira (3), quando Cristófaro disse: “Não lavar a calçada, é coisa de preto, né?”

Após a repercussão, ele enviou um vídeo para um grupo de vereadores, por volta das 11h20. Ele afirmou que estava se referindo a “carros pretos”. Assista:

“São 11h20 da manhã e estou fazendo uma gravação aqui. Estou dizendo exatamente que esses carros pretos dão trabalho. Que os carros pretos são f... Estou dizendo aqui que carro preto não é fácil para cuidar da pintura. Então, se a vereadora Luana olhou pro outro lado, 70% das pessoas que me acompanham, vereadora, são negros. Então, a senhora não vem com conversa. Olha só, estão lavando aqui, oh. Estou dizendo que carro preto dá trabalho, que carro preto é f... dão mais trabalho para polir”, disse no vídeo.

Depois, às 14h, aconteceu a reunião do Colégio de Líderes da Câmara e Camilo Cristófaro participou. O vereador mudou a versão sobre os carros e afirmou que estava conversando com um amigo, considerado por ele como um irmão, que é negro.

“Eu ia gravar um programa que não foi gravado lá no meu galpão de carros. Eu estava com o Chuchu, que é o chefe de gabinete da Sub do Ipiranga, e é negro. Eu comentei com ele, que estava lá. Inclusive no domingo nós fizemos uma limpeza e quando eu cheguei eu falei: ‘isso aí é coisa de preto, né?’. Falei pro Chuchu, como irmão, porque ele é meu irmão”, declarou aos colegas.

Em seguida, Camilo Cristófaro pediu desculpas e disse que estava brincando com o amigo. “Se eu errei é porque eu tenho essa intimidade com ele, porque ele me chama de carequinha, ele me chama de ‘veínho’. Nós temos essa intimidade. Ele é um irmão meu”, afirmou.

Desfiliado do PSB

O PSB de São Paulo desfiliou o vereador Camilo Cristófaro da legenda.

Para adotar um rito sumário, o presidente do partido em SP, Jonas Donizette, aceitou um pedido que o parlamentar fez de afastamento dos diretórios municipal e estadual da agremiação, no dia 28 de abril.

Cristófaro não falava claramente em desfiliação, mas citava o artigo 17, paragrafo 6º, da Constituição, que permite o desligamento partidário com a anuência da direção da agremiação.

"Ele já vinha me ligando, afirmando que queria a desfiliação. Estávamos tentando segurá-lo. Mas, diante do fato gravíssimo de manifestação de racismo, que vai contra os princípios do PSB, o desligamento foi aceito", afirma Donizette.

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