Unicef alerta que meio milhão de crianças correm risco na Líbia

(22 set) Forças leais ao governo de união nacional patrulham rua de Trípoli

Meio milhão de crianças estão em "perigo iminente" na capital líbia, Trípoli, onde confrontos são travados há quase um mês - informou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) nesta segunda-feira (24).

Desde 27 de agosto, os combates entre milícias rivais deixaram pelo menos 115 mortos e quase 400 feridos, de acordo com o mais recente balanço fornecido pelo Ministério líbio da Saúde no sábado.

Os confrontos se intensificaram nas últimas 48 horas no sul de Trípoli, e "mais de meio milhão de crianças estão em perigo iminente" na capital, estimou o Unicef, acrescentando que há "2,6 milhões que precisam de ajuda no país".

Os últimos combates obrigaram 1.200 famílias a deixarem suas casas, elevando o número total de deslocados para mais de 25.000, segundo essa agência da ONU.

Metade são crianças, segundo o Unicef, que manifestou sua preocupação com as inúmeras violações dos direitos da criança em Trípoli.

Além dos cortes diários de água, da falta de comida e eletricidade, as crianças líbias estão ameaçadas por um aumento de casos de sarampo, com mais de 500 casos notificados, de acordo com o diretor regional do Unicef para o Oriente Médio e o Norte da África, Geert Cappelaere.

Também está em risco o reinício do ano letivo, marcado para 3 de outubro, pelo "crescente número de escolas usadas como abrigos para famílias deslocadas", apontou a organização.

Para as crianças, cujos pais chegaram à Líbia com a esperança de emigrar para a Europa por via marítima, "esta violência agrava o sofrimento que já é profundo", ressaltou o Unicef.

Apesar do acordo de cessar-fogo alcançado em 4 de setembro sob a mediação da ONU, os confrontos recomeçaram na semana passada nos bairros do sul da capital.

Vários grupos extremistas e milícias armadas, que mudam de acordo com seus interesses, mantêm um clima de insegurança no país, rico em recursos petrolíferos, mas mergulhado no caos desde a queda do regime do então presidente, Muammar Khadafi, em 2011.