Unidos de Bangu se atrapalha em homenagem a Castor de Andrade e é candidata a rebaixamento

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RIO — Vivo fosse, Castor de Andrade soltaria os bichos contra a escola de samba que o homenageou neste Carnaval. A Unidos de Bangu se preocupou tanto em contar a história do contraventor que passou mais tempo do que o permitido na Avenida. O último integrante cruzou a faixa final, na Praça da Apoteose, três minutos além dos 55 previstos. Por isso, a escola será penalizada com a perda de três décimos na apuração. A correria no final do desfile, inclusive, abriu um enorme buraco na escola, o que deve custar mais pontos, já deixando a agremiação como séria candidata ao rebaixamento.

Mas a confusão não parou por aí. Como o portão da dispersão estava quebrado devido a um problema durante o desfile da Unidos da Ponte, dirigentes da Bangu tentaram puxá-lo à força para interromper o cronômetro e entraram em conflito com seguranças da Liesa. Houve um princípio de briga, que foi apaziguado, não sem antes algumas trocas de ofensas, realmente lembrando as confusões de carnavais da era Castor de Andrade.

Alheio aos problemas, o carnavalesco da escola, Marcus Paulo, disse que tanto ele como todos integrantes da agremiação não tinham vergonha do enredo "Deu Castor na cabeça", uma homenagem declarada ao maior contraventor da história do Rio de Janeiro, Castor de Andrade.

Mas apesar da fala do responsável pelo enredo, o que se viu na Marquês de Sapucaí foi uma exaltação ao lado folclórico do bicheiro, como o papel de cartola do Bangu e Patrono da Mocidade Independente de Padre Miguel e nenhuma menção aos episódios de criminalidade nos quais o homenageado esteve envolvido.

O jogo do bicho esteve presente no desfile, seja na comissão de frente, onde os integrantes representaram 15 dos 25 animais do jogo, e um décimo-sexto participante representou o 'castor invasor', já que o mesmo não está entre os bichos do jogo, como também no primeiro carro alegórico, com esculturas de cobra, águia, borboleta e pavão, entre outros.

— A Unidos de Bangu, escola do bairro em que ele nasceu, acredita que ele merece essa homenagem, pois é uma pessoa presente até hoje para quem vive por lá. As pessoas falam do Castor como se ele fosse presente. É uma homenagem merecida, eu desenvolvi o enredo para não esconder nada, um desfile sem vergonha do que mostramos — disse.

De acordo com integrantes da escola, a nora de Castor, Beth Andrade, viúva de Paulo Andrade, assassinado em 1998 na esteira da disputa sangrenta iniciada com a morte do bicheiro, esteve na concentração para desejar bom desfile e foi até um camarote acompanhar a escola.

Entre os nomes conhecidos envolvidos com o jogo do bicho, nenhum foi visto durante o desfile. Mais cedo, Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, esteve em um camarote no Setor 2, acompanhado do filho, mas após a passagem da União da Ilha não foi visto mais no local.

Nas arquibancadas, a passagem da Unidos de Bangu foi recebida de forma morna pelo público, exceção feita a um pequeno grupo nas arquibancadas do Setor 2 que entoava o grito de "Bangu ôôô" tal qual uma torcida organizada em um estádio de futebol.

Após o desfile, o diretor de carnaval da Unidos de Bangu, Marcelo do Rap, defendeu a escolha do enredo e negou que a agremiação tenha romantizado o personagem, ignorando a vida do contraventor. Marcelo, inclusive, classificou Castor de Andrade como um herói na visão da escola.

— Não tem polêmica nenhuma com esse enredo. Mostramos a vida dele, falamos do jogo do bicho, das origens com a avó dele, não escondemos nada. Falar de Castor de Andrade, é falar de um anti-herói que é um verdadeiro herói. Há muita hipocrisia quando se fala do Castor, pois se temos um Carnaval como esse hoje em dia, muito se deve a ele e a visão empresarial que ele tinha. Ele já deveria ter sido homenageado há muito tempo e por escolas do grupo especial, mas faltou coragem - disse.

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