Boris Johnson visitará a Irlanda do Norte, mergulhada em paralisia política

Líder do Partido Unionista da Irlanda do Norte, Jeffrey Donaldson, em entrevista coletiva em 13 de maio de 2022, no Parlamento, em Belfast (AFP/Paul Faith) (Paul Faith)

O partido unionista norte-irlandês DUP anunciou, nesta sexta-feira (13), que bloqueará o funcionamento do novo Parlamento regional em protesto contra as disposições pós-Brexit nesta nação do Reino Unido, agravando a paralisia política após a histórica vitória do republicano Sinn Fein.

Neste contexto, o primeiro-ministro Boris Johnson anunciou que visitará a região na segunda-feira. Ele lamentou que a Irlanda do Norte seja "um peão em meio a uma batalha entre o governo britânico e a União Europeia".

"Hoje, o DUP não apoiará a eleição de um presidente da assembleia", anunciou seu líder, Jeffrey Donaldson, cujo partido defende, ferozmente, o pertencimento da Irlanda do Norte à coroa britânica.

Sem a designação de um novo presidente, após as legislativas regionais da semana passada, a Câmara Autônoma do Norte-Irlandesa não poderá funcionar.

A Casa deve se reunir pela primeira vez na sexta-feira, após a vitória do Sinn Fein - ex-braço político do grupo armado IRA e partidário da reunificação com a vizinha República da Irlanda - nas eleições de 5 de maio. Foi a primeira vez, desde a divisão da ilha há 100 anos.

O DUP se recusa, porém, a nomear um vice-primeiro-ministro, enquanto foram mantidos os controles aduaneiros pós-Brexit entre a Irlanda do Norte e o restante do Reino Unido, impostos pelo chamado "Protocolo Norte-Irlandês" negociado por Londres e Bruxelas.

Após liderar o governo local, tradicionalmente, sempre formado em coalizão com os republicanos, em virtude do Acordo de Paz da Sexta-feira Santa de 1998, a sigla agora é a segunda maior força política da região.

Donaldson reiterou na sexta-feira sua ferrenha oposição a este texto, o qual acusa de minar o lugar da Irlanda do Norte no país.

Convidada para ser a nova chefe do governo regional, Michelle O'Neill, do Sinn Fein, acusou-o de "fazer o público refém".

Com base nessas tensões políticas na região e nas barreiras ao comércio entre a Irlanda do Norte e o resto do país, o governo britânico pediu à União Europeia que renegocie o protocolo, em profundidade. Bruxelas afirmou, no entanto, estar disposta a fazer apenas "ajustes".

Na quinta-feira (12), Londres ameaçou agir, unilateralmente, para suprimir a aplicação de grandes partes do protocolo, talvez já na próxima semana. A UE reagiu, dizendo se tratar de uma postura "inaceitável", que pode deflagrar severas represálias comerciais.

"O governo não tem escolha agora a não ser agir unilateralmente para não mais aplicar todo ou parte do protocolo", escreveu David Frost, ex-ministro responsável pelo Brexit dentro do governo britânico, no jornal conservador Daily Telegraph.

"Existe uma ameaça iminente para nossa capacidade de governar a Irlanda do Norte", acrescentou, e classificou de "desproporcional" que a UE imponha represálias comerciais.

O protocolo tem como objetivo proteger a frágil paz na Irlanda do Norte, evitando o retorno de uma fronteira física com a República da Irlanda, país-membro da UE.

Para isso, mantém a região britânica dentro do mercado único europeu e na união aduaneira, o que implica impor controles sobre os produtos que chegam à Irlanda do Norte procedentes do restante do Reino Unido.

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