Univaja critica falas de Mourão sobre assassinato de Dom e Bruno: "Desconhecimento"

Univaja rechaçou ideia de que assassinos de Dom e Bruno tenham agido sozinhos (Foto: Rodrigo Paiva/Getty Images)
Univaja rechaçou ideia de que assassinos de Dom e Bruno tenham agido sozinhos (Foto: Rodrigo Paiva/Getty Images)

Resumo da notícia

  • Univaja criticou declarações de Hamilton Mourão sobre Dom Phillips e Bruno Pereira

  • Vice-presidente disse que "ribeirinhos" estavam embriagados quando mataram jornalista a indigenista

  • Unijava pediu aprofundamento das investigações sobre assassinato

A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Unijava) criticou as falas do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, sobre o assassinato de Dom Phillips e Bruno Pereira. Segundo a organização, há um desconhecimento da parte de Mourão sobre a região.

Na última segunda-feira (20), o vice-presidente declarou que, se há um mandante do crime contra o jornalista e o indigenista, “é um comerciante da área que estava se sentindo prejudicado pela ação principalmente do Bruno e não do Dom, o Dom entrou de gaiato nessa história. Foi efeito colateral”.

Além disso, Mourão afirmou que os assassinos são “ribeirinhos, gente que vive no limite de ter acesso à melhores condições de vida”. Segundo o vice-presidente, o crime aconteceu porque os criminosos estavam embriagados.

Diante das declarações, a Unijava falou em desconhecimento por parte do vice-presidente, rechaçou a ideia de que não há uma organização criminosa maior por trás do crime e classificou as falas de Mourão como desrespeitosas.

“O vice-presidente demonstra novamente desconhecimento de nossa região ao afirmar que os acusados pelo assassinato de Bruno e Dom são apenas ‘ribeirinhos’ que levam ‘uma vida dura’, ‘vivem de pesca’. O vice-presidente desconsidera que o inquérito policial aponta a existência de um grupo criminoso organizado para saquear os recursos naturais da Terra Indígena Vale do Javari”, argumenta a Unijava em nota.

“Não se trata apenas de simples ‘ribeirinhos’, pois ribeirinhos não teriam condições financeiras para extrair toneladas de ilícitos ambientais em longas viagens ilegais à terra indígena e, posteriormente, exportar para outros países de forma ordenada e profissional, obtendo lucros de milhões de reais.”

A Unijava afirma ainda que os assassinatos de Bruno e Dom demonstra uma “ação ordenada e planejada, não fruto do acaso”. A instituição manifestou preocupação com conclusões que chamou de “precipitadas”.

“Exigimos aprofundamento das investigações, considerando os documentos produzidos e compartilhados pelo movimento indígena com as autoridades desde 2021. Reafirmamos a nossa crença nas instituições e o seu comprometimento em elucidar o crime, praticado sob o contexto da atuação de organizações criminosas em nossa região. Algo que continua a ameaçar nossas vidas”, finaliza a nota.

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