Universidade Federal de Alagoas pede afastamento de funcionário acusado de transfobia

A Universidade Federal de Alagoas afastou um funcionário do restaurante universitário do campus A.C. Simões, em Maceió, depois de ele ter sido acusado de cometer transfobia contra uma aluna. Em uma rede social, Nefertiti Souza, estudante de Letras, que é transexual, contou ter sido reiteradamente tratada com o pronome masculino por um funcionário mesmo após tê-lo alertado sobre o incômodo com a situação.

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Em uma postagem em uma rede social, ela reclamou do que classificou como despreparo da comunidade acadêmica, relatando que alguns funcionários não respeitavam pessoas trans.

— Houve um ocorrido no qual um dos funcionários desrespeitou o meu pronome. Quando eu o corrigi, ele o fez mais três vezes, com certeza em forma de deboche. E quando a gente acabou tendo ali uma discussão por causa disso, a minha companheira, que estava comigo, foi perguntar o nome dele, falando que a gente ia tomar uma medida, que a gente ia entrar em contato com a pró-reitoria estudantil, a resposta dele foi a seguinte: ‘Eu não preciso trabalhar aqui. Eu sou concursado no interior’, demonstrando total impunidade pelo que ele faz cotidianamente, porque é um ato que não é a primeira vez que ele fez. Ele já fez isso várias outras vezes, já foi corrigido várias outras vezes, e nunca tinha nos tratado assim, com tanta violência. Ele gritou, enfim, foi muito desconfortante — lamentou Nefertiti.

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Após a denúncia, a pró-reitoria da universidade informou que, ainda na quarta-feira, notificou a gerência do restaurante universitário sobre o ocorrido. Na quinta, um processo administrativo para registro da denúncia foi aberto, e a gerência do restaurante solicitou à empresa contratada “o imediato afastamento do funcionário de suas funções no restaurante”.

A Ufal informou, ainda, que “será realizada reunião com todos os colaboradores do restaurante, a fim de reforçar a necessidade e importância do pleno respeito às diferenças no atendimento ao nosso público”.

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Na publicação em que relatou o ocorrido, Nefertiti afirmou que alunos estão organizando uma manifestação dentro do restaurante universitário, para protestar contra o que ela classificou como agressividade e violência contra pessoas trans nas universidades.

— Eu estou aqui como mulher preta e trans para repudiar esse ato e para pedir um atendimento de qualidade na universidade. [...] Cobro da instituição uma medida a respeito disso. Que isso não ocorra mais, em nenhum setor. Que eu não precise mais justificar o meu gênero para ninguém dentro da universidade, que é um campo de inclusão. Que seja feita essa inclusão, porque eu não me sinto incluída, e vocês [universidades] não estão preparadas para nos receber. Esse despreparo é vivenciado, e é extremamente traumático — criticou.

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Leia a íntegra da nota da Ufal:

“Tivemos conhecimento, na noite de ontem (31/05/2022), de uma ocorrência envolvendo funcionário de uma empresa terceirizada, que presta serviço no Restaurante Universitário (RU) do Campus A.C. Simões, e uma estudante moradora da Residência Universitária Alagoana (RUA). A estudante alega ter sido vítima de tratamento homofóbico por parte do funcionário durante atendimento realizado no RU no dia de ontem. Informamos, de antemão, que repudiamos qualquer espécie de ataque homofóbico, seja ele ocorrido dentro ou fora do espaço universitário. Em pleno 2022, não pode haver mais espaço para esse tipo de desrespeito. Lembramos ainda que, desde 2019, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), a homofobia está enquadrada como crime inafiançável e imprescritível. Por isso, incentivamos a todos aqueles que se sentirem desrespeitados por sua orientação sexual ou identidade de gênero que registrem Boletim de Ocorrência (o que já foi feito pela estudante) para que, dentro da lei, as autoridades competentes realizem a investigação dos fatos. Por parte desta Pró-reitoria, informamos que, ainda na noite de ontem, notificamos a gerência do RU sobre o ocorrido. No dia de hoje, abrimos processo administrativo para registro da denúncia. Em consequência disso, a gerência do RU solicitou, à empresa contratada, o imediato afastamento do funcionário de suas funções no restaurante. Além disso, será realizada reunião com todos os colaboradores do restaurante, a fim de reforçar a necessidade e importância do pleno respeito às diferenças no atendimento ao nosso público. #SomosUfal #ufal”

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