Universidade Federal do Amapá vai apurar recusa de professora a orientar alunos que votaram no Lula

A Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) confirmou nesta quarta-feira que vai apurar o caso da professora Sheylla Susan Moreira da Silva de Almeida que se recusou a seguir orientando alunos de farmácia em programa de doutorado por divergências políticas. “Não quero esquerdista no meu laboratório”, ela escreveu, em print divulgado pela União Nacional dos Estudantes (UNE). A UNIFAP afirmou que o fato se caracterizou como “assédio” e demonstrou “indignação”.

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“Registra-se que a UNIFAP não concorda com tal conduta e os fatos estão sendo apurados, bem como serão adotadas as providências necessárias após as devidas apurações”, conclui a nota.

Após a repercussão negativa do caso, Sheylla publicou um pedido de desculpas em uma rede social. Segundo ela, "no calor das eleições", acabou se "excedendo nas palavras".

Um dos alunos retirados é Débora Arraes, professora da Universidade Estadual do Amapá (UEAP). A UEAP emitiu uma “nota de solidariedade” para Débora, “que sofreu opressão e assédio por posição política por parte de sua orientadora”. “Manifestamos ainda repúdio a qualquer ação de assédio provocada no ambiente acadêmico seja nas graduações ou programas de pós-graduações contra seus alunos ou servidores da instituição, em função de posição política, ou qualquer outra motivação”, continua a nota.

Eleito deputado federal pelo Amapá, Dorinaldo Malafaia (PDT) compartilhou a nota da UEAP e escreveu: “Minha solidariedade com a professora Débora Arraes e com os estudantes da Unifap vítimas de assédio em virtude de posições políticas. A universidade é lugar para a pluralidade.”

O Centro Acadêmico de Farmácia da UNIFAP (CAFAR) também emitiu uma nota de repúdio sobre o caso. "O CAFAR, representação dos discentes da graduação na Faculdade de farmácia, reitera a indignação dos acadêmicos do curso de farmácia, a respeito da tentativa de reprimir o pensamento e/ou a liberdade de se expressar politicamente ou qualquer outra forma de expressão", diz a nota.

O CAFAR cobra a investigação dos fatos pela UNIFAP, "bem como a adoção de medidas necessárias após a conclusão das apurações, a fim de coibir a continuação de atos que firam a liberdade dos discentes ou servidores do ambiente acadêmico."