Universidades privadas perdem 350 mil estudantes presenciais em 2021

·2 minuto de leitura

RIO — As universidades privadas perderam um total de 110 mil estudantes em 2021, segundo projeções do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp), passando de 6,44 milhões de estudantes para 6,33 milhões.

A variação de apenas 1,7%, entre 2020 e 2021, aconteceu após a perda de 350 mil (8,9%) universitários na modalidade presencial e o ganho de 240 mil (9,8%) estudantes em cursos à distância. Os números estão na apresentação do Mapa do Ensino Superior no Brasil 2021, do Semesp, na manhã desta terça-feira.

— O acesso a uma graduação ainda tem sido um fator de desigualdade social, seja por falta de vagas, de incentivos ou de políticas públicas eficientes — afirma Rodrigo Capelato, diretor-executivo do Semesp.

Este é, na projeção do Semesp, o segundo ano seguido de quedas de matrículas no ensino superior privado, o que nunca aconteceu entre 2009 e 2019. Nesse período, houve, segundo o Mapa do Ensino Superior no Brasil 2021, uma concentração de matrículas em grandes instituições.

Naquele mesmo período de 10 anos, o número de instituições de ensino superior de grande porte subiu 1,8 ponto percentual, com um aumento de 10,3 pontos percentuais no número de matrículas. No mesmo período, o número das instituições de pequeno porte caiu 4,7 pontos percentuais, com uma diminuição de 6 pontos percentuais na participação destas em relação ao total de matrículas.

Ainda segundo o documento do Semesp, o Brasil chegou em 2020 com o menor número de novos contratos do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies), com apenas 54 mil contratos. Em 2014, foram 733 mil. Para o ano de 2021, a previsão é que se chegue a 93 mil.

De acordo com o Semesp, a taxa de evasão de alunos sem Fies nem Prouni é de 26,2%. Entre os alunos com financiamento, ela ficou em 6,4%.

— O aluno que ingressa com Fies/Prouni entra mais vocacionado, escolhendo o curso e a instituição de ensino superior que quer cursar, daí a menor evasão. Sem programas de financiamento a evasão é maior porque o estudante escolhe pela facilidade de ingresso e pelo preço do curso, sem levar em consideração a vocação — explica Capelato.

Para o diretor executivo, as políticas públicas de acesso ao ensino superior têm deficiências que precisam ser corrigidas.

— Todo ano, milhares de estudantes do ensino médio fazem o Enem e prestam vestibulares, mas não conseguem ingressar no ensino superior. Faltam políticas públicas de acesso mais eficientes e que diminuam essa diferença entre o número de vagas ofertadas e preenchidas em programas como o Fies e o ProUni — avalia.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos