Universidades também apostam no ensino híbrido

O Globo
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RIO — Assim como as escolas, as instituições de ensino superior foram forçadas pela pandemia a apostar nas aulas em formato virtual para evitar a evasão e continuar atraindo novos estudantes. Enquanto umas aceleraram a transposição de seus cursos para o sistema híbrido, outras já lançam cursos com esta premissa: eles foram pensados de forma que o aluno só precise ir até a sede física da universidade para participar das aulas de algumas matérias, quase sempre as que exigem treinamento prático.

A Veiga de Almeida, com campus na Barra e na Tijuca, é uma das estão lançando cursos num formato que chama de semipresencial: os períodos são organizados em trimestres, em vez de semestres, e estão previstas aulas on-line ao vivo, com acompanhamento de tutores. Inicialmente, o novo modelo estará disponível para as graduações em Educação Física, Fisioterapia, Engenharia Elétrica e Engenharia Civil.

Gilberto Silva, diretor acadêmico da Ilumno, mantenedora da Veiga de Almeida, afirma que o projeto de cursos semipresenciais vinha sendo desenvolvido desde antes da pandemia.

— O mercado demandava um novo modelo, que já era aplicado na Europa, por exemplo. A pandemia só o acelerou. Este novo formato tem uma parte prática e presencial de 30%. A nova geração não se adapta ao modelo tradicional de ensino e exige cursos mais dinâmicos, com roteiros de atividades e maior interação — destaca.

Ele acredita no fim do ensino superior exclusivamente presencial.

— Cada vez mais, o aluno vai migrar para o modelo semipresencial. Desde 2019, já se vinha discutindo o formato híbrido, mas havia os que não concordavam que ele seria possível para todos os cursos. O tempo provou o contrário — observa. — E logisticamente, para todo mundo, é cada vez mais complicado cumprir 100% da carga horária no presencial. A ideia é que o aluno só esteja no campus universitário para fazer trabalhos que exijam integração, desenvolver projetos e ter aulas práticas nos laboratórios, que adaptamos para serem multiuso. Cada vez mais, o professor fará o papel de consultor, já que todo estudante tem acesso à informação na palma das mãos, inclusive a conteúdos de universidades estrangeiras.

Na Unigranrio, a experiência acumulada com o ensino à distância até o início da pandemia fez que com que a transição para as aulas on-line durante a quarentena fosse somente uma questão de adaptação, segundo o reitor, Arody Cordeiro Herdy. A instituição remodelou cursos como Biomedicina, Enfermagem , Estética e Cosmética, Farmácia e Fisioterapia, oferecidos no campus Barra, adaptando-os ao modelo híbrido, explica, e investe em metodologias ativas, focadas na formação prática e por competências, associadas a ferramentas tecnológicas.

— Todos os professores estão realizando um treinamento com especialistas na área de ensino híbrido, para que possamos proporcionar melhores experiências para os nossos alunos, que vão receber material em casa e ter contato com eles. A tecnologia está aqui para nos ajudar, não é uma inimiga da educação. Deve ser usada com inteligência e inovação— diz Herdy.

Ele explica que o ensino híbrido na Unigranrio vem passando por adaptações desde o ano passado, o que levou à criação de um escritório de inovação para os docentes discutirem sistemas e novas tecnologias que podem ser aplicadas em sala de aula. E ressalta que a aprendizagem colaborativa é fundamental.

— Ouvimos os professores e os alunos e detectamos algumas dificuldades. Com isso, mudamos a nossa forma de ensinar, preparamos as salas com um número maior de câmeras e passamos a usar ainda mais ferramentas tecnológicas — conta.

Para o reitor, o maior desafio das aulas on-line é a rede de internet do país. Por isso, as unidades estarão abertas para quem quiser assistir às aulas remotas nas dependências da universidade:

— Alguns alunos têm acesso à internet com mais facilidade do que outros. Não queremos que nenhum seja prejudicado ou discriminado.

Os cursos de graduação da Estácio de Sá também ganharam um novo formato, semipresencial, em que a maior parte do conteúdo será passada por meio da plataforma digital da própria universidade e, a partir do segundo período, os estudantes poderão escolher duas disciplinas que desejam cursar no formato presencial.

— O índice de satisfação dos alunos melhorou durante a pandemia com as aulas virtuais. Depois, quando o presencial se tornou possível para as atividades que necessitam de prática, passamos a entender melhor esse modelo e criamos este novo projeto. Estamos empolgados e achamos que vai ser um sucesso, porque não tira dos alunos a chance de ter a experiência universitária —afirma Adriano Pistore, vice-presidente de operação presencial da Estácio.

Pistore enxerga como positivo os alunos terem mais liberdade para montarem sua grade de estudos. E diz que o fator financeiro também fará diferença:

— A flexibilidade ajuda o estudante a planejar a sua forma de aprender. Constatamos que nosso aluno conseguiu vencer o processo de aprendizagem nas plataformas digitais e está ganhando experiência. Essa modalidade também traz um menor custo, com mensalidades menores e mais acesso para quem tem menos condições. (Colaborou: Regiane Jesus)

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