Universitária morta por policial: família diz estar decepcionada com decisão que concedeu liberdade de inspetora

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RIO — Beneficiada pela expedição de uma liminar no plantão judiciário, que concedeu habeas corpus e a sua consequente liberdade, a inspetora da Polícia Civil Carla Patrícia Novaes da Silva Melo, acusada de matar uma estudante de Direito que manteve um relacionamento extraconjugal com seu marido, vai continuar livre. Pelo menos até o próximo dia 21 de janeiro.

É que, apenas nesta data, ocorrerá o fim do recesso da Justiça para os advogados. Assim, o julgamento do mérito da decisão preliminar, que terá de ser acompanhado por um advogado e um procurador de Justiça, só poderá ocorrer após o dia 21 de janeiro.

Uma Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, formada por cinco desembargadores, vai decidir se mantém ou não a concessão da liminar que garantiu a liberdade da policial. Até lá, Carla Patrícia poderá seguir solta, mas terá de usar tornozeleira eletrônica, além de se apresentar a um juízo criminal de 15 em 15 dias.

A soltura da inspetora, que chegou a ter a prisão preventiva decretada e que conseguiu a liminar após se apresentar à justiça, nesta terça-feira, não agradou a família da estudante e secretária de autoescola Isadora Calheiros Gomes Pedrosa, de 25 anos. Ela foi assassinada com um tiro na cabeça, disparado pela policial, no dia 26 de novembro, em Queimados, na Baixada Fluminense.

— Estamos decepcionados com a Justiça brasileira. Vamos aguardar o Ministério Público recorrer desta decisão — disse Dilcéia Calheiros, irmã da estudante.Após mortes:Justiça solta os cinco policiais militares suspeitos de execuções no Andaraí

Mãe de dois filhos, um deles ainda em idade de amamentação, a policial civil teve a prisão decretada na última quinta-feira. Na denúncia, consta que o crime foi praticado por motivo torpe e sem chance de defesa para a vítima.

Segundo a defesa de Carla, a policial socorreu a estudante e a levou para uma Unidade de Pronto Atendimento, mas Isadora não resistiu e morreu.

De acordo com denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), a vítima manteve um relacionamento de um ano com o marido da policial. Durante este tempo, ele usou o nome da vítima para abrir uma empresa de proteção veicular. E também teria, segundo o MPRJ, utilizado economias e crédito da estudante para erguer o negócio. No início de 2021.

Carla teria descoberto a traição, o que fez que seu marido encerrasse a relação extraconjugal. Além disso, segundo a denúncia, ele também teria demitido Isadora da empresa.

Isadora Calheiros era mãe de uma criança portadora de necessidades especiais. Segundo parentes, ela não sabe que a estudante morreu tem perguntado constantemente pela secretária.

— Tentei explicar que a mãe virou uma estrelinha, mas a criança ainda não tem como entender isso — concluiu Dilcéia.

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