Universitários de Cabul não abaixam a cabeça após o atentado: 'Voltaremos'

Emal HAIDARY y Najiba NOORI
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Jornalista em sala destruída da Universidade de Cabul após atentado
Jornalista em sala destruída da Universidade de Cabul após atentado

Os alunos da Universidade de Cabul expressaram nesta terça-feira (3) sua vontade de continuar estudando após o atentado de segunda-feira, reivindicado pelo Estado Islâmico (EI), contra a faculdade mais importante do Afeganistão, no qual 22 pessoas morreram.

No dia seguinte ao ataque, as autoridades organizaram um dia de luto nacional e vários estudantes voltaram à universidade destruída, onde organizaram uma manifestação com cartazes que pediam: "Parem de nos matar".

"Hoje quando vim aqui e vi as salas neste estado, senti como se a universidade tivesse desaparecido", declarou à AFP Sami Ahmadi, que sobreviveu ao atentado.

"Este é o auge do horror e não é contemplado por nenhum sistema ou religião", afirmou.

Três homens invadiram na manhã de segunda-feira o campus central da universidade na capital afegã. Um deles se explodiu e os outros dois dispararam contra os jovens com armas de fogo, em um ataque que terminou após várias horas de combates com as forças de segurança.

Embora as autoridades afegãs atribuam o ataque aos talibãs, os insurgentes negaram qualquer responsabilidade e o Estado Islâmico (EI) reivindicou sua autoria.

"Dois combatentes do Estado Islâmico atacaram um ato do governo afegão na Universidade de Cabul coincidindo com a graduação de juízes e pesquisadores", afirmou Amaq, a agência de propaganda do EI, através do aplicativo de mensagens instantâneas Telegram.

O horror do atentado ainda se fazia presente 24 horas depois nas paredes das salas, cheias de buracos de balas e com cadeiras e mesas queimadas.

Dois buracos enormes gerados por explosivos remetem à intervenção das forças especiais afegãs que entraram pelo teto de uma sala para salvar os estudantes presos em seu interior.

"Minha mensagem aos terroristas é que não irão nos parar", afirmou Mohamad Baqir Alizada, de 21 anos, que estuda em outra faculdade. "Independentemente de qual seja o preço por isso, voltaremos" a estudar, acrescentou.

O ataque ocorreu pouco antes da chegada das autoridades afegãs na Universidade de Cabul, onde planejavam inaugurar uma feira de literatura iraniana, informou o Ministério das Universidades na segunda-feira.

Foi o segundo atentado em menos de duas semanas contra um centro educacional em Cabul, depois que ao menos 24 pessoas morreram na semana passada em um ataque com explosivos em um centro educacional no oeste da capital afegã.

Os atentados continuam a se repetir nos últimos meses no Afeganistão, apesar de das negociações de paz que começaram em setembro em Doha (Catar) entre o governo e os talibãs.

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