Uruguai acelera vacinação em guerra contra a covid-19

Gabriela VAZ
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O Uruguai, que superou mil mortes por covid-19, avança na vacinação de sua população sem paralisar a economia ou renunciar à "liberdade responsável" de seus cidadãos, enquanto a oposição exige mais restrições.

Mais de 80% das 1.009 mortes provocadas pela covid-19 no Uruguai ocorreram em 2021, marcando um momento crítico da pandemia que no ano passado parecia estar sob controle.

Enquanto entre março de 2020 - quando surgiram os primeiros casos de coronavírus - e dezembro o país de 3,5 milhões de habitantes contabilizava apenas 181 mortes por covid, nos primeiros três meses de 2021 somou mais de 800 mortes, 400 delas apenas em março.

Esta semana, também ultrapassou 100.000 infecções, das quais quase 60% ocorreram nos últimos 90 dias.

Esse aumento sustentado se traduz em um maior número de pacientes graves: 42% dos leitos de terapia intensiva em todo o país estão ocupados por pacientes com covid.

Os números ilustram a mudança radical de cenário que vive a nação sul-americana, distante do manejo bem-sucedido da pandemia que nunca recorreu à quarentena obrigatória e que lhe rendeu elogios.

Neste contexto, a comunidade científica e associações médicas, bem como a oposição e parceiros políticos do governo exigem medidas mais restritivas à mobilidade.

Mas o presidente de centro-direita, Luis Lacalle Pou, foi enfático ao descartar o confinamento obrigatório, argumentando que seu governo "não acredita em um Estado policial" e até relutou em fechar alguns setores da economia.

O presidente considera que as medidas em vigor, como a suspensão das aulas presenciais ou o fechamento de algumas repartições públicas, são "suficientes" se acompanhadas de um comportamento individual responsável.

Lacalle Pou levantou a bandeira da "liberdade responsável", conceito ao qual apelou várias vezes em 2020, quando se recusou a decretar uma quarentena, apesar dos múltiplos pedidos da oposição de esquerda e de outros setores.

- Colapso e vacina -

Um eventual colapso do sistema de saúde passou a ser o foco das atenções e esta semana foi objeto de debate entre aqueles que apoiam as decisões do governo e aqueles que argumentam que é imperativo o endurecimento das medidas.

A União Médica Uruguaia (SMU) se envolveu dias atrás, pedindo aos médicos que se filmassem testemunhando o colapso do sistema de saúde e divulgando os vídeos nas redes sociais.

Embora a SMU tenha indicado que seu único objetivo era conscientizar a população, políticos pró-governo consideraram isso uma "campanha" contra o governo, negando também que os hospitais estejam lotados.

Na terça-feira, um documento do Ministério da Saúde Pública (MSP) foi vazado e distribuído entre os hospitais para definir as prioridades de admissão nas unidades de terapia intensiva, o que para alguns mostra que o próprio governo está prevendo o pior cenário.

Além disso, e embora o MSP tenha acrescentado dezenas de leitos de terapia intensiva, a sociedade de médicos intensivistas indicou que não há recursos humanos suficientes para atendê-los.

O outro lado da moeda é a vacinação, que desde seu início, em 1º de março, está a todo vapor: em um mês, quase 20% da população já recebeu a primeira dose da CoronaVac ou Pfizer.

Por meio de convênios com os laboratórios americano e chinês Sinovac, o Uruguai conseguiu cinco milhões de doses, das quais dois milhões já chegaram ao território nacional.

O país também aguarda a chegada de vacinas AstraZeneca, adquiridas pelo mecanismo Covax. No domingo, chegarão as primeiras 48 mil doses, segundo a mídia local.

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