Uruguai elege presidente com candidato de centro-direita favorito

Por Mauricio RABUFFETTI
Luis Lacalle Pou, do Partido Nacional, e Daniel Martínez

Cerca de 2,6 milhões de uruguaios começaram a votar neste domingo (24) para eleger um novo presidente entre o opositor Luis Lacalle Pou (centro-direita, favorito) e o oficialista Daniel Martínez (esquerda).

Em uma região que viu a ascensão da extrema direita no Brasil e o retorno da esquerda na Argentina, o Uruguai poderia - segundo as pesquisas - virar as costas à Frente Ampla, uma coalizão de partidos de esquerda que reúne socialistas, comunistas, ex-guerrilheiros e ortodoxos econômicos.

A diferença entre o advogado Lacalle Pou, de 46 anos, e o engenheiro e ex-prefeito de Montevidéu Martínez, 62 anos, pode chegar a oito pontos percentuais (51% a 43%), segundo pesquisas.

Antes de votar, o atual presidente, Tabaré Vázquez, se referiu à convulsionada América Latina e disse que o Uruguai seguirá "todos os passos constitucionais e legais" para uma mudança de presidente em 1º de março de 2020.

"O povo uruguaio pode ter a absoluta certeza (de) que cumpriremos isso", disse Vázquez a repórteres, quando protestos sociais ocorrem em vários países da América Latina.

A votação começou às 8h00 e irá até às 19h30.

Em um episódio confuso na madrugada deste domingo, pessoas que participavam do que era originalmente uma festa de música eletrônica no sul de Montevidéu, em frente ao Rio da Prata, apedrejaram veículos da polícia e um ônibus da Armada Nacional que transportava pessoal para guardar as urnas.

Vários carros particulares foram danificados, segundo a imprensa uruguaia. Ainda não há informações oficiais sobre o assunto.

- Opositor favorito -

Após o primeiro turno de outubro, Lacalle Pou, do Partido Nacional, conseguiu reunir todo o arco da oposição em uma aliança eleitoral, incluindo o liberal Partido Colorado, o de direita Cabildo Aberto, liderado pelo ex-comandante do Exército Guido Manini Ríos, e o social-democrata Partido Independente.

Após três mandatos consecutivos durante os quais governou com maioria absoluta no Parlamento, a Frente Ampla enfrenta o maior desafio de sua história política: permanecer no governo onde chegou em 2005.

Porém, com uma alta taxa de desemprego de 9,5%, uma economia estagnada, um déficit fiscal persistente de 4,9% do PIB e um aumento de 45% no número de homicídios entre 2017 e 2018, em um país considerado seguro no contexto latino-americano, o Uruguai pode mudar o rumo político neste domingo.

Lacalle Pou, do Partido Nacional, faz sua segunda tentativa de chegar à presidência, depois de perder em 2014 para Vázquez.

O candidato da oposição anunciou que, em caso de vitória, após assumir em 1º de março de 2020, enviará ao Parlamento uma "lei urgente de consideração", com a qual pretende agir rapidamente, dentro de um período de 90 dias.

Este projeto visa declarar a "emergência" da segurança, eliminar os pagamentos obrigatórios por meio de entidades financeiras introduzidas pela Frente Ampla e liberar a importação de combustível em um país onde uma empresa estatal tem o monopólio e os preços dos combustíveis estão entre os mais alto do mundo.

Lacalle Pou também propôs uma revisão das contas públicas para controlar o déficit fiscal e preservar o grau de investimento do Uruguai, que espera alcançar com cortes de até 900 milhões de dólares no Estado.

O Uruguai fez parte de um grupo de países que se voltou para os governos de esquerda na última década, quando Néstor e Cristina Kirchner governaram na Argentina, Luis Inácio Lula da Silva no Brasil e Rafael Correa no Equador.

Próxima do chavismo venezuelano, a Frente Ampla chegou ao governo com Vázquez em 2005, continuou com José Mujica em 2010 e retornou a Vázquez em 2015.

Embora tenha obtido quase 40% dos votos no primeiro turno, essa coalizão que funciona como partido político desde a sua fundação em 1971, não conseguiu manter o apoio entre seus partidários para a votação deste domingo.