Uruguai propõe à Celac criar área de livre-comércio na região

O presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, propôs, nesta terça-feira (24), que a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) impulsione a criação de uma área de livre-comércio regional, e criticou os países do grupo que "não respeitam a democracia, nem os direitos humanos".

Lacalle Pou pediu a seus pares deste fórum, que reúne 33 países, que deixassem para trás os discursos e passassem "à ação".

"Não será o momento de tornar essas relações mais sinceras e que se impulsione, a partir da Celac, uma área de livre-comércio [...] do México até o sul da América do Sul? Não podemos avançar nesse sentido?", questionou.

"Temos as possibilidades de fazer comércio livremente. Muitas de nossas economias são complementares, e tenho certeza de que poderíamos avançar", argumentou Lacalle Pou, no momento em que seu país está sob pressão no Mercosul após sua decisão de negociar um tratado de livre-comércio (TLC) com a China, que os outros sócios - Brasil, Argentina e Paraguai - veem com receio.

Em entrevista coletiva após o plenário da Celac e um dia antes de receber o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em visita oficial a Montevidéu, Lacalle Pou insistiu que seu país não é "divisionista" e que se seus sócios do Mercosul quiserem aderir a um TLC com a China, não iria se opor.

O presidente uruguaio também apresentou sua visão contrária ao retorno da Venezuela ao Mercosul, iniciativa promovida pelo Brasil. Caracas foi suspensa do bloco sul-americano em 2017, nos termos do Protocolo de Ushuaia, até que "seja verificado o pleno restabelecimento da ordem democrática" no país caribenho.

O presidente uruguaio, um dos poucos presidentes de centro-direita a comparecer à cúpula de Buenos Aires, também criticou a "tentação ideológica nos fóruns internacionais", que acaba fazendo com que desapareçam.

"Ouvi discursos com os quais concordo totalmente, outros com os quais concordo com a metade, e outros com os quais não concordo em quase nada. Mas entendo que nossas nações precisam se vincular", sustentou, antes de afirmar que alguns discursos ostentam "títulos de solidariedade e outros conceitos que são muito bonitos, mas que, às vezes, não são colocados em prática".

"Todos os países que estão aqui condenam as ações contra a democracia no Brasil", ressaltou Lacalle Pou sobre os ataques de 8 de janeiro em Brasília.

E a declaração da cúpula da Celac "fala de respeito à democracia, aos direitos humanos e do cuidado às instituições". Mas, "claramente existem países aqui [...] que não respeitam nem as instituições, nem a democracia e nem os direitos humanos", alfinetou.

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