Usando diferentes perucas, Camilla de Lucas, do 'BBB21', passa pela quinta transição capilar

Luana Santiago
·7 minuto de leitura

A transição capilar não é nenhuma novidade no universo das famosas naturalmente crespas ou cacheadas. Nas redes sociais, Taís Araujo, Juliana Paes e outras celebridades já falaram abertamente das dores e delícias da retirada da química de alisamento ou relaxamento dos fios. Mas, graças a Camilla de Lucas, do “Big Brother Brasil 21”, a discussão acerca da demorada transformação ganhou um novo fôlego. Quando saiu em defesa de João Luiz, que teve seu black comparado a uma fantasia de homem das cavernas por Rodolffo, a sister logo esclareceu algo que deixava espectadores do programa com a pulga atrás da orelha: se ela tem orgulho de seu cabelo natural como afirmou ao sertanejo, por que recorreu às tranças e, atualmente, usa perucas no reality? “Eu uso isso aqui não é pra esconder meu cabelo. Eu uso aqui porque estou com o meu, que está aqui embaixo, fazendo uma transição. É para deixar ele natural. Por eu amar meu cabelo, por eu, agora, aceitá-lo. É um ato de resistência. Para a gente resistir numa sociedade que brinca e zomba do nosso cabelo”, esclareceu a participante.

— O uso das perucas pode ser, de fato, um apoio na hora da transição, principalmente para as pessoas que não estão prontas para passar pelo big chop (grande corte, em tradução livre). Usadas corretamente, elas podem, sim, ajudar a proteger os cabelos contra as agressões externas, como, sol, poluição e vento — reforça Zica Assis, fundadora do Instituto Beleza Natural, especializado em cabelos cacheados e crespos.

Desde que tirou as tranças na casa mais vigiada do Brasil, Camilla já desfilou por lá com uma lace (peruca de acabamento natural) ondulada e com mechas louras. Em meados de abril, a cria de Nova Iguaçu, na Baixada, mudou de visual mais uma vez, passando a usar outra lace com cachos parecidos com a da anterior, porém totalmente preta. Na mala, ela ainda guarda (até o fechamento desta edição) uma peruca curta e loura. “Camilla se sente mais à vontade em passar por esse processo usando trança, laces e entrelaces. Mas ela está no caminho para deixar o cabelo 100% natural”, explicou o perfil oficial da participante no Twitter, reforçando que os fios da influencer ainda possuem resquício de química de relaxamento.

Retirá-la, entretanto, não é nada fácil. O processo é longo e requer muita força de vontade. Não à toa que Camilla de Lucas tentou fazer a transição capilar outras quatro vezes, porém acabou voltando a aplicar produtos que alteram a estrutura do cabelo antes de concluir a transformação.

"Quando você está passando por isso, o cabelo vai ficando feio, porque ele começa a quebrar, fica uma parte mais curta e outra maior, a raiz fica mais cheia e a ponta rala. Como eu sempre trabalhei com o meu cabelo aqui na internet, era complicado passar pela transição”, explicou a influenciadora em dos seus vídeos no YouTube.

Em sua nova tentativa de transição, Camilla optou por usar perucas para disfarçar as texturas discrepantes, mas Zica destaca que há outras maneiras de lidar com as diferenças.

— O processo de transição capilar é muito íntimo e pessoal. É uma decisão que vai além da escolha de como tratar o cabelo. Durante esse procedimento, os fios ficam mesmo com duas texturas distintas, o que pode incomodar algumas pessoas. Camilla preferiu aderir à lace para disfarçar isso, mas outra opção seria fazer texturizações ou finalizações (veja o passo a passo na página 11) para disfarçar o contraste dos formatos dos fios — ensina a especialista, reforçando ainda que inseguranças em relação à aparência podem surgir nesse período: — Durante a transição, vários fatores podem interferir na continuidade . Tudo isso acontece por conta de um “padrão de beleza” criado dentro da nossa sociedade. No entanto, o que realmente importa é a pessoa estar feliz com a sua escolha, seja ela qual for: usar o cabelo natural, relaxado, alisado, colorido, longo ou curto.

A quinta — e quem sabe a última — transição de Camilla começou no início do ano passado. Com o fechamento temporário dos salões de beleza por causa da pandemia, a iguaçuana viu a oportunidade de começar tudo de novo, seguindo os passos de participantes de edições passadas do “Big Brother Brasil”.

— Quem deseja parar de usar química e voltar ao natural precisa ter em mente que vai precisar de muita paciência e cuidado. O procedimento é longo e demanda um aprendizado sobre o seu próprio cabelo, sobre a nova rotina de cuidados. Nem sempre isso é uma tarefa fácil ou rápida, o que pode levar a cacheada a achar que seus cabelos não estão bonitos como desejava. É necessário ter calma e entender que isso é uma questão de ajuste — reforça a cabeleireira.

Para os cachos voltarem...

Para se livrar do relaxamento ou do alisamento, Zica avisa que só existe um caminho: passando a tesoura nas madeixas.

— Quando se para de passar química no cabelo, é preciso esperar ele crescer, pois o fio quimicamente tratado teve sua estrutura modificada e não volta mais à forma original. O normal é que cresça cerca de um centímetro por mês, e a transição só estará completa quando todo o comprimento que passou por química for eliminado com o corte.

Há quem prefira se livrar do liso de uma vez, fazendo um único corte radical.

— O big chop preserva apenas a raiz sem o procedimento químico. Ele acelera o processo de transição, além de proporcionar mais praticidade no cuidado dos fios. No entanto, o big chop só deve ser feito quando a mulher tiver certeza de sua escolha, porque a mudança drástica no visual pode ser incômoda no início — alerta a especialista.

Para quem teme a tesoura, paciência é uma virtude

Quem não tem coragem de aderir ao big chope pode ir retirando as pontas lisas aos poucos, com cortes regulares.

— Nesses casos, o recomendado é cortar cerca de quatro dedos da ponta, geralmente a parte mais danificada e que já está tão quimicamente alterada que os ativos do creme não conseguem penetrar. Outra opção é repicar o cabelo. Em camadas, ele fica mais arrumado — indica Zica, reforçando ainda a importância de procurar um profissional especializado em cachos para fazer essa mudança.

Conforme a raiz natural for crescendo, também é preciso investir na texturização:

— Para tentar texturizar as pontas, onde predomina a parte lisa, a dica é aplicar creme de pentear com óleos próprios e mais consistente e amassar o cabelo com cuidado, com a mão em formato de concha, além de deixá-lo secar naturalmente. Isso irá estimular a memória do cacho dos fios e amenizará a diferença das pontas alisadas para a raiz cacheada ou crespa.

Cuidado redobrado

Se os cabelos crespos e cacheados naturais já são delicados, os que estão em transição então.... Por isso, Zica reforça ser fundamental manter uma rotina de cuidados, que inclui lavagem, condicionamento, hidratação e creme de pentear, com os produtos ideais para cada tipo de fio. É importante lembrar que a curvatura pode variar durante a transformação:

— De duas a três vezes por semana, lave o cabelo com água fria ou na menor temperatura possível para evitar mais ressecamento dos fios. Ao aplicar o xampu, massageie bem o couro cabeludo para retirar qualquer impureza, inclusive a concentração de oleosidade na raiz. Repita o processo e, depois de enxaguar, tire o excesso de água e use o condicionador para desembaraçar os fios e preparar o cabelo para a máscara hidratante. Ao pentear, sempre utilize pentes com dentes largos, que evitam o arrepio e a quebra dos fios. Comece a desembaraçar de baixo para cima. Em seguida, enxágue novamente e seque o cabelo com a toalha, sem esfregá-lo. Desembarace os fios mais uma vez e aplique a hidratação mecha por mecha. Deixe o produto agir somente no tempo recomendado, sem exceder o período determinado. Depois, massageie o couro cabeludo e enxágue com água fria, retirando o hidratante. Por fim, aplique o creme para pentear e deixe os fios secarem naturalmente.

Também é importante, ao menos uma vez por mês, recorrer a tratamentos mais específicos.

— Faça uma hidratação com reposição de queratina, que vai recuperar os danos causados pelos agentes externos como temperatura, vento, sol, praia e piscina — recomenda a profissional, que alerta, ainda, para cuidados com penteados: — Ao fazer penteados presos, como o bom e velho rabo de cavalo, prefira usar presilhas envoltas em tecido. Elas não repuxam nem arrebentam os fios fragilizados.

Com colaboração de Gabriela Medeiros*