Uso de máscara leva a uma queda de 99% dos casos de sarampo no estado de SP

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 05.04.2019: Enfermeira aplica vacina contra o sarampo. (Foto: Rubens Cavallari/Folhapress
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 05.04.2019: Enfermeira aplica vacina contra o sarampo. (Foto: Rubens Cavallari/Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As medidas sanitárias adotadas para conter a pandemia de Covid-19 levaram a uma queda de 99% nos casos de sarampo no estado de São Paulo. Até o dia 10 de agosto deste ano foram cinco casos contra 772 no mesmo período de 2020.

Os dados são da Secretaria de Estado da Saúde. Ainda que a vacina seja a melhor forma de prevenção da doença, a redução brutal dos casos neste ano é atribuída, principalmente, ao uso de máscara, ao distanciamento social e ao incentivo à higienização das mãos. O vírus do sarampo é transmitido por via respiratória.

Os cinco casos da doença, registrados em São Bernardo do Campo, Campinas, Americana, Altinópolis e capital paulista, ocorreram em crianças até nove anos. Nenhuma delas tinha esquema vacinal completo e havia histórico de comorbidades. Não houve óbitos.

No ano passado, do total de 883 casos, 40% foram em crianças menores de nove anos. A única morte registrada foi também nessa faixa etária.

Em 2019, o estado de São Paulo viveu o auge da epidemia de sarampo, com um total de 17.976 casos e 18 mortes. As pessoas de até 29 anos responderam por 80% dos infectados e 61% dos óbitos.

Segundo Helena Sato, médica de divisão de imunização da secretaria, apesar da redução dos casos neste ano, ainda persiste a preocupação com a queda na taxa de vacinação contra essa doença e outras infantis que já vinha acontecendo antes da crise sanitária. Em 2020, os índices despencaram ainda mais, aumentando o risco de novos surtos de doenças preveníveis.

Análise de dados do Ministério da Saúde até abril mostravam que menos da metade dos municípios brasileiros tinha atingido a meta estabelecida pelo PNI (Plano Nacional de Imunizações) para nove vacinas, entre elas as que protegem contra hepatites, poliomielite, tuberculose e sarampo.

Ano passado, com a pandemia de Covid-19, o estado de São Paulo registrou 85,2% de cobertura vacinal do sarampo em crianças com até 12 meses, período recomendado para fechamento correto do ciclo vacinal.

Foi o pior índice de imunização contra a doença dos últimos anos. Em 2019, o estado atingiu 91,8%, em 2018, 91,5% e 2017, 86,7%. A meta de cobertura é de 95%.

Sato afirma que, embora o uso de máscara e outras medidas sanitárias tenham mostrado um impacto positivo na prevenção do sarampo e de outras doenças respiratórias, é fundamental que os pais mantenham o esquema de vacinação dos filhos em dia.

"O vírus continua circulando por aí, não podemos baixar a guarda. Se a gente deixa para depois, a recuperação da cobertura vacinal fica mais difícil porque vão acumulando pessoas suscetíveis à doença."

A infecção pelo sarampo ocorre por meio de gotículas de saliva com partículas do vírus dispersas em aerossol, que favorecem a transmissibilidade. Cada infectado pode transmitir para até 18 pessoas.

Além de ser altamente transmissível, o sarampo pode evoluir para casos graves e causar complicações sérias, como pneumonia, encefalite e morte. A pessoa infectada pode apresentar tosse, coriza, olhos inflamados, dor de garganta, febre e manchas avermelhadas na pele.

A vacina tríplice viral (primeira dose) previne contra sarampo, caxumba e rubéola. Já a tetraviral é aplicada na sequência (funcionando como uma segunda dose), e também previne a varicela. Ambas fazem parte do calendário de rotina, e estão disponíveis nos postos de vacinação durante o ano todo.

Segundo Sato, há um grande esforço dos profissionais de saúde para recuperar as coberturas vacinais, com vários protocolos de segurança para evitar filas e aglomerações nos postos de saúde.

Na pandemia, muitas pessoas ficaram com medo de ir a uma UBS (Unidade Básica de Saúde), devido ao risco de contrair o vírus. Mas não é só isso.

Especialistas também atribuem a queda da cobertura das vacinas infantis a fatores como a falta de campanhas massivas sobre a importância de tomar as vacinas, de capacitação dos vacinadores, além da falta de flexibilidade dos horários dos postos de saúde.

Ainda não tem dados consolidados sobre a imunização contra o sarampo no estado neste ano, mas Helena Sato acredita que aos poucos a população esteja voltando a frequentar os serviços de saúde e buscando a vacinação.

No entanto, a imunização contra o vírus da gripe (influenza), que começou em 12 de abril e terminou no último dia 16, mostra que a situação ainda longe da ideal. A meta era alcançar 90% do público-alvo e só atingiu 64,6%, mesmo com várias prorrogações da campanha.

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