USP instala grades no lugar de painéis quebrados do muro de vidro

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A USP (Universidade de São Paulo) iniciou, no dia 14 de junho, a instalação de grades em parte do muro de vidro que separa a raia olímpica da instituição da marginal Pinheiros, na zona oeste da capital paulista. Os gradis substituem painéis de vidro quebrados.

Com recursos da própria universidade, fora realizada uma primeira licitação no início deste ano para instalação de parte do gradil. Para conclusão dos trabalhos, ainda sem prazo, foi realizado um segundo processo licitatório, cujo vencedor deve ser anunciado em setembro.

Segundo a USP, a opção por duas licitações se deu pela extensão da obra e pela quantidade de gradis a serem instalados. A raia tem 2.200 metros.

Os documentos licitatórios não foram divulgados pela universidade, que costuma dar publicidade a todos os seus gastos por meio de seu portal, porém a reportagem apurou que o valor total do projeto deve ser de R$ 3 milhões.

A Prefeitura do Campus da USP da Capital, comandada pela urbanista Raquel Rolnik, preferiu não falar sobre valores, mas afirmou que, por desinteresse das empresas no investimento inicial da universidade, aumentou o valor da segunda licitação das grades em "100 ou 150 mil reais" para estimular as empreiteiras.

No último mês de março, Rolnik também prometeu a instalação de um corredor verde em frente ao muro. Segundo ela, o projeto para a licitação está em andamento.

Inaugurado em 2018, o muro de vidro da USP foi um projeto do ex-prefeito João Doria (PSDB). A ideia era que a obra viabilizasse a visualização da raia olímpica e de parte dos prédios da universidade. Fruto de uma parceria sem contrato entre a USP, a Prefeitura de São Paulo e pelo menos 44 empresas, o projeto foi orçado em R$ 15 milhões.

Problemas surgiram em poucos meses. Em abril de 2019, reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que houve falhas na instalação que levaram a quebras recorrentes das placas, conforme laudos da Polícia Civil.

A falta de uma peça de borracha usada para calçar as placas de vidro e evitar o contato direto com a esquadria de alumínio, aumentando as chances de quebra, foi detectada pela polícia em análises de peças que se quebraram desde a inauguração do muro.

Em meados de 2020, a Folha de S.Paulo apontou haver 22 placas danificadas no local. Em março deste ano, a reportagem contabilizou 45. O número continua similar, porém com a presença de grades em alguns espaços.

Os problemas derivados do projeto acabaram gerando reclamações dos esportistas que usam a raia olímpica. Vários deles queiram-se da trepidação das águas, do barulho constante causado pelo trânsito e da recorrente presença de invasões. A sujeira também incomoda, quem transita pela marginal pode ver cacos de vidro espalhados por toda a extensão da obra.