Usuário já pode pagar a passagem do transporte público com celular

A Riocard Mais — empresa de bilhetagem eletrônica ligada a empresários de ônibus — lançou uma nova versão de seu aplicativo que permite o pagamento no transporte público com smartphone e sem a utilização do tradicional cartão físico dos modelos Expresso (da cor rosa, em que estão atrelados os benefícios dos bilhetes únicos do Rio e de Niterói) e Vale-Transporte (laranja).

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Após baixar o aplicativo, o usuário deverá gerar um cartão virtual e comprar créditos, inclusive por Pix, que são ativados no próprio celular. O Bilhete Único Intermunicipal, que é concedido a pessoas cadastradas que ganham até R$ 7.507,09, não é atrelado ao novo sistema.

A novidade chega menos de um mês depois de a prefeitura assinar contrato de concessão com o Consórcio Bilhete Digital (CBD), empresa que vai administrar a operação da bilhetagem digital na capital fluminense. Mas a “Jaé” não entrará em vigor imediatamente. A CBD tem 18 meses, a contar de 19 de janeiro, para implantar seus validadores apenas nos coletivos regulados pelo município (ônibus e vans, além de BRT, VLT e “cabritinhos”). A partir daí, terá início um período de três meses de operação compartilhada, quando os equipamentos da Riocard Mais serão retirados.

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Não precisa de internet

A Riocard Mais, contudo, segue com o seu projeto, incluindo os modais municipais. Por enquanto, o seu novo aplicativo está disponível para aparelhos Android. Mas, em fevereiro, será possível baixá-lo em Iphones.

Uma condição essencial para usar o cartão digital da Riocard Mais é ter um aparelho com a tecnologia NFC, de aproximação. Para garantir a segurança, a pessoa precisará criar uma senha, com a opção de habilitar o acesso por autenticação biométrica.

Os veículos também terão que contar com leitores de NFC, sendo possível identificá-los através de consulta ao aplicativo Movit. A Riocard informou que metrô, trens e vans já aceitam o cartão digital, e que 70% dos ônibus estão com os validadores adaptados. Em breve, o sistema estará disponível no VLT. Nas barcas, o uso ainda não é permitido.

Também não é preciso estar conectado à internet para pagar a tarifa de transporte: é só aproximar a tela do celular no validador com a nova tecnologia, uma vez que as informações relativas à passagem já foram geradas. E para quem não quer usar o cartão digital, o sistema permite que os créditos carregados no celular sejam transferidos, também por aproximação, para bilhetes físicos.

— É uma tecnologia nova, pronta para ser utilizada em todos os meios de transporte que têm validadores com leitor de NFC. É o primeiro cartão digital do Brasil com caráter multimodal — explica Melissa Sartori, gerente de Marketing da Riocard Mais.

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O novo aplicativo aglutina em um só canal digital todos os serviços que estavam disponíveis nos apps da Riocard, que serão desativados ou atualizados gradualmente com a migração dos clientes para o novo produto.

Alerta quando o saldo ficar abaixo de R$ 25

Uma das novidades do novo app é a função alerta de saldo, que envia ao cliente uma notificação quando o valor contido no cartão estiver abaixo de R$ 25. Em caso de dúvidas, basta acessar a função “Me chame no WhatsApp”, para acessar o Tomais, o assistente virtual da Riocard Mais, também disponível no número (21) 2127-4000.

O contrato entre a CBD e a Prefeitura do Rio foi assinado no dia 21 de dezembro. Segundo a secretária municipal de Transportes, Maína Celidonio, quando o sistema de bilhetagem digital municipal entrar em vigor também permitirá ao usuário pagar a passagem com o celular, por aproximação. Ela esclarece que a empresa tem seis meses (até 19 de julho deste ano) para instalar seus validadores no BRT. Depois, tem o prazo máximo de mais um ano ano (19 de julho de 2024) para implantar o equipamento na frota municipal.

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— Preferimos dar um prazo longo, porque havia muita incerteza, na época do edital de licitação, em relação à questão dos insumos, principalmente os chips, necessários para cartões e validadores. As empresas temiam que fossem multadas se déssemos um prazo mais curto. Mas a empresa tem um desconto na outorga caso ela antecipe esse prazo — diz Maína.

Secretaria nega disputa pela bilhetagem

A outorga da concessão — de R$ 110 milhões — deve ser paga à prefeitura ao final da transição. E, para cada mês antecipado no processo, tem desconto de 5%. A secretária também nega que haja disputa entre o município e a Riocard Mais pela operação da bilhetagem:

— Não há mais uma briga. Nós vamos ter nosso bilheteiro municipal, e eles fazem a bilhetagem do estado.

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Segundo a Secretaria municipal de Transportes, durante o período de implantação do sistema de bilhetagem digital, está prevista a busca por acordos de interoperabilidade dos cartões com outros operadores de transporte público não regulados pelo município, como metrô, barcas e SuperVia.

O consórcio CBD é formado pelas empresas RFC Rastreamento de Frotas Ltda e Alto Tijuca Participações Ltda. A concessionária deve disponibilizar 12 pontos de atendimento presencial e triplicar a rede de venda e recarga hoje existente. Além de fazer a recarga em máquinas de autoatendimento (ATM), o usuário poderá utilizar a recarga on-line, por meio de site e aplicativo. O crédito irá entrar no momento da recarga.

Ao todo, são mais de 5 milhões de cartões Riocard ativos e, por mês, são realizadas cerca de 130 milhões de transações eletrônicas.

— Nosso objetivo é transformar o app no principal canal da empresa com os clientes. Com a fusão dos aplicativos, reunimos todos os serviços e passamos a oferecer novas funcionalidades — diz Melissa.