Usuários vão ao Twitter acusar plataforma de 'apoiar fake news'; entenda os motivos da mobilização

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O Twitter virou tema de discussão no próprio Twitter nesta quarta-feira. A plataforma foi parar no primeiro lugar entre os assuntos mais comentados do Brasil com a hashtag "#TwitterApoiaFakeNews", que soma mais de 30 mil menções. O objetivo da campanha, impulsionada por perfis como o Sleeping Giants Brasil, é pressionar a rede social a agir, segundo os críticos, de forma mais rígida contra a desinformação, principalmente em relação à pandemia de Covid-19.

Nas postagens, os usuários destacam o fato de o Twitter ainda não oferecer no Brasil a possibilidade de denunciar publicações com mensagens falsas sobre a Covid-19, como ocorre em outros países, entre eles os Estados Unidos, onde está disponívei há seis meses. A campanha também questiona a verificação de contas bolsonaristas que espalham conteúdos enganosos sobre a vacinação contra a doença, inclusive de investigados por fake news no Supremo Tribunal Federal (STF).

Um dos casos citados é o da blogueira bolsonarista Bárbara Destefani, que recentemente recebeu selo de verificação da plataforma. O perfil de Bárbara foi apontado pelo ministro Alexandre de Moraes como parte de um mecanismo de criação e divulgação de notícias falsas contra instituições, como o Supremo Tribunal Federal (STF).

Em setembro do ano passado, a conta também foi alvo de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pedido da Polícia Federal, que determinou a desmonetização de perfis ligados a 11 influenciadores digitais, três veículos de mídia (Terça Livre, Folha Política e Jornal da Cidade Online) e um movimento político (Nas Ruas) apoiadores do presidente, acusados de propagar mensagens falsas sobre o processo eleitoral. Em nota, o Twitter afirmou que não comenta verificações caso a caso.

Usuários também resgataram publicações antigas de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, como o jornalista Guilherme Fiuza, sinalizadas em diversas ocasiões como eganosas pelo Twitter e questionam o fato de não terem sido removidas e de os perfis não terem sido banidos, a exemplo do que aconteceu, nos EUA, com a conta pessoal da congressista republicana da Geórgia Marjorie Taylor Greene por “por repetidas violações" à política de desinformação sobre a Covid-19.

Em 2020, o Twitter atualizou sua política para incluir alegações falsas sobre vacinas e outros temas relacionados à pandemia entre os conteúdos não permitidos ou que passariam a receber um selo com indicação de mensagem inverídica. Em março de 2021, a rede anunciou que passaria a desativar a conta que desrespeitar cinco vezes as regras de desinformação sobre Covid-19. Publicações relacionadas à pandemia feitas pelo presidente Jair Bolsonaro, pelo Ministério da Saúde e deputados federais Carla Zambelli (PSL-SP) e Daniel Silveira (PSL-RJ) já foram sinalizadas como enganosas pelo Twitter.

Procurada, a plataforma ainda não comentou a hashtag e os motivos citados pelos usuários para criticar a atuação do Twitter no tema.

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