Itália recebe milhares de imigrantes após vários resgates no Mediterrâneo

Roma, 17 abr (EFE).- Muitos portos do sul da Itália recebem nesta segunda-feira vários dos mais de 8 mil imigrantes resgatados durante o último fim de semana no Mar Mediterrâneo, muitos deles meninos pequenos e desacompanhados e homens com sinais de tortura.

Fontes da Guarda Costeira italiana explicaram à Agência Efe que esta tarde chegarão ao Porto de Messina, na Sicília, aproximadamente, 1.200 imigrantes e apontaram que hoje, dadas as difíceis condições do mar, ainda não foi possível localizar balsas no Mediterrâneo. Esta manhã, chegaram à Catânia, também na região da Sicília, 1.181 imigrantes, a bordo do navio alemão "Rhein", segundo os meios locais.

Nos últimos dias, o país também recebeu um elevado número de imigrantes em outros portos, como o da Ilha de Lampedusa e da Reggio di Calabria. A chegada destes imigrantes a bordo das naves que ajudaram nos resgates acontece depois que, entre a sexta-feira e o domingo foram resgatados mais de 8.300 imigrantes no Mar Mediterrâneo, entre Líbia e Itália.

A porta-voz da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), Carlotta Sami, explicou à Efe que, ao todo, 60 operações de salvamento com 35 embarcações estão em desenvolvimento.

Ela afirmou que o ritmo de salvamentos no fim de semana foi "muito frenético", a tal ponto de que muitos trabalhadores humanitários e autoridades marítimas trabalharam por 40 horas. Mesmo assim, foram registradas mortes. De acordo com Carlotta, foram recuperados sete corpos, entre eles o de uma mulher grávida, mas o número final pode aumentar.

A porta-voz do Acnur, explicou que entre os resgatados há muitos meninos e homens com evidentes sinais de tortura, como queimaduras nas costas e chicotadas, após serem aprisionados na Líbia por traficantes para extorquir suas famílias.

Deste modo, a Itália continua registrando números recordes no que se refere à chegada de imigrantes. Segundo dados do Ministério do Interior, de 1 de janeiro a 12 de abril, 26.989 imigrantes desembarcaram na Itália, 23,8% a mais do há um ano. EFE