Gerente abre fogo em loja do Walmart e mata seis pessoas nos EUA

Um gerente de um supermercado Walmart matou seis pessoas a tiros em uma loja repleta de clientes às vésperas do Dia de Ação de Graças, antes de se suicidar, informou a polícia nesta quarta-feira (23), no segundo ataque em massa com armas de fogo no país em quatro dias.

Outras quatro pessoas permaneciam hospitalizadas em condições desconhecidas após o ataque, ocorrido na terça-feira à noite, no Walmart de Chesapeake, no estado da Virgínia (leste), afirmou o chefe de polícia, Mark Solesky.

Acredita-se que o homem armado tenha morrido devido a um "ferimento de bala autoinfligida", afirmou Solesky em coletiva de imprensa, acrescentando que o motivo do ataque ainda é desconhecido.

As autoridades da cidade identificaram o atirador como Andre Bing, de 31 anos, morador de Chesapeake, e disseram que ele estava armado com uma pistola e vários carregadores.

O Walmart, maior rede varejista dos Estados Unidos, confirmou que Bing era um gerente noturno e que trabalhava na empresa desde 2010.

Briana Tyler, funcionária do Walmart que sobreviveu ao ataque, descreveu cenas de terror quando o assassino entrou na sala de repouso da equipe e abriu fogo.

"Não estava apontando para ninguém especificamente", disse Tyler à emissora ABC. "Literalmente começou a atirar em toda a sala de descanso e vi várias pessoas caírem no chão".

A funcionária disse que o atirador olhou diretamente para ela e disparou, mas errou por apenas alguns centímetros. "Não disse uma palavra, não disse nada", afirmou Tyler.

Cometido dois dias antes do Dia de Ação de Graças, o feriado familiar americano celebrado em 24 de novembro este ano, o ataque ocorreu depois de outro evento com arma de fogo, no fim de semana, em um clube LGBTQIA+ no Colorado (oeste), que deixou cinco mortos.

Também foi o segundo ataque a tiros em massa no estado da Virgínia este mês: três estudantes da Universidade da Virgínia que jogavam em seu time de futebol foram assassinados em 13 de novembro por um colega de classe depois de uma excursão.

O presidente Joe Biden condenou o ocorrido e pediu leis de controle de armas mais rígidas. "Devido a outro ato de violência horrível e sem sentido, agora haverá ainda mais mesas em todo o país que terão cadeiras vazias neste Dia de Ação de Graças", disse em um comunicado.

- "Extremamente cheio" -

As primeiras ligações para os serviços de emergência após o ataque no Walmart foram recebidas pouco depois das 22h de terça-feira (00h00 de quarta-feira, horário de Brasília), enquanto a loja ainda estava aberta.

Os agentes entraram pouco depois, segundo Solesky.

O atirador e duas vítimas foram encontrados mortos na sala de descanso, enquanto outro corpo foi encontrado em frente à loja. Três pessoas morreram depois no hospital.

Terri Brown, que estava no Walmart, mas saiu pouco antes dos disparos, disse que a loja estava lotada de clientes.

"Estava extremamente lotado", disse Brown à 13NewsNow, uma emissora local, afiliada da ABC. "Todos as caixas estavam muito ocupadas (e) havia longas filas nos caixas de autoatendimento".

No estacionamento da loja, nesta quarta-feira, flores e pequenas velas elétricas brancas foram colocadas sob a fita da cena do crime em homenagem às vítimas. Balões brancos, azuis e dourados amarrados a uma árvore se moviam com o vento.

- Personalidade difícil -

Os ataques com armas de fogo em supermercados nos Estados Unidos se tornaram cada vez mais comuns nos últimos anos.

Em maio, um adolescente matou dez pessoas, a maioria negra, em um mercado em Buffalo, Nova York. No ano passado, ataque a tiros em um supermercado em Boulder, no Colorado, também deixou dez mortos. E, em 2019, um jovem matou 23 pessoas e feriu outras 26 em uma loja do Walmart em El Paso, no Texas.

Segundo a ONG Guns Down America, de 1º de janeiro de 2020 a 14 de maio deste ano houve 448 "incidentes com armas" e 137 mortes em 12 grandes redes varejistas do país.

"Poderia ter sido eu", disse Edna Dunham, moradora de Chesapeake, em declarações à CBS News.

Tyler, a funcionária do Walmart, disse à ABC que o gerente em questão tinha a reputação de ter uma personalidade difícil.

"Sempre acontecia algo com ele" ou "tinha um problema com alguém", disse, mas ainda assim observou: "Eu nunca teria pensado que faria algo assim."

O incidente ocorreu três noites depois que um atirador matou cinco pessoas e feriu 18 em uma boate LGBTQIA+ em Colorado Springs.

Os advogados do suspeito, Anderson Lee Aldrich, de 22 anos, disseram em documentos judiciais que seu cliente se identifica como não binário.

Aldrich compareceu ao tribunal na quarta-feira por meio uma chamada de vídeo, mas não foi formalmente acusado ou fez uma confissão de culpa.

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