Vídeo de 2018 de cantor Leo Chaves é falsamente associado a apoio aos ataques em Brasília

Não é verdade que o cantor Leo Chaves tenha feito um vídeo em apoio à invasão dos prédios dos Três Poderes, em Brasília, como alegam publicações compartilhadas mais de duas mil vezes nas redes sociais desde 10 de janeiro de 2023. A sequência em que o cantor diz que é preciso “revolucionar o país” foi publicada originalmente em 25 de maio de 2018. Na ocasião, Leo expressava apoio à greve dos caminhoneiros que aconteceu naquele ano.

“Cantor Léo apoiando atos antidemocráticos. Algo precisa ser feito, pessoas que motivam esses atos tbm tem que pagar por isso”, diz uma das publicações que circulam no Twitter, no Instagram, no Facebook e no TikTok.

O conteúdo também foi compartilhado pela candidata ao governo do Rio de Janeiro em 2018 Marcia Tiburi (PT) em sua conta no Twitter.

As postagens são ilustradas por um vídeo no qual Leo Chaves — que ficou conhecido por compor a dupla sertaneja com seu irmão Victor — convoca lideranças artísticas e empresariais a “colocarem a boca no trombone” e apoiarem um movimento que poderia significar “uma revolução” para o país.

O vídeo é sobreposto pelos dizeres “Paralização Urgente do Brasil” e “10/01/2023 Cantor Léo faço dele minhas palavras”.

Captura de tela feita em 12 de janeiro de 2023 de uma publicação no Twitter ( .)

O vídeo passou a circular após apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) invadirem e depredarem os prédios do Congresso, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Palácio do Planalto, em Brasília, no último dia 8 de janeiro.

Contudo, Leo não estava se referindo a esses atos.

Uma busca pelo vídeo nas redes sociais do artista permitiu encontrar uma versão mais longa da mesma sequência, publicada em 25 de maio de 2018 em seu Instagram. A postagem é acompanhada pela legenda: “Caos ou revolução? Apoio 100% as manifestações pacíficas sobre o que está acontecendo”, seguida da hashtag #somostodoscaminhoneiros.

Este conteúdo não está disponível devido às suas preferências de privacidade.
Para vê-los, atualize suas configurações aqui.

A gravação mais longa contém trechos que deixam claro que o cantor estava se referindo à greve dos caminhoneiros de 2018, como a seguinte fala: “Na verdade, hoje eu me considero caminhoneiro, eu não sei dirigir caminhão, mas de coração também eu me considero caminhoneiro, porque eu tô com vocês. Se vocês mudarem esse país, começou com vocês, a revolução de vocês”.

À época, o vídeo do cantor em apoio ao movimento foi amplamente noticiado pela mídia (1, 2).

A greve dos caminhoneiros de 2018 foi uma paralisação que durou dez dias entre os meses de maio e junho, nos quais motoristas pararam nas estradas e se recusaram a entregar carregamentos para pressionar por mudanças como redução no preço do diesel, isenção de pedágio e a criação de um marco regulatório para a categoria.

“O vídeo é de 2018 e está sendo utilizado totalmente fora do contexto atual”, confirmou à AFP a assessoria de imprensa do cantor Leo Chaves.

O conteúdo também foi verificado pela Agência Lupa.