Vídeo brasileiro pede ajuda internacional por vacinas contra Covid-19

Constança Tatsch
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RIO — Um vídeo de pouco mais de três minutos foi enviado a milhares de contatos no exterior pedindo ajuda internacional para o Brasil no combate à pandemia.

A iniciativa é do grupo Unidos pela Saúde contra o Colapso. Entre os seus integrantes, 90% são profissionais de saúde de todas as regiões do país, mas há também empresários, jornalistas, publicitários e até o vice-presidente da República, Hamilton Mourão.

Participam do vídeo o epidemiologista e coordenador do estudo sobre coronavírus Epicovid-19, Pedro Hallal, a geneticista e pesquisadora Mayana Zatz, o coronel do exército Moysés Benito Crespo, a jornalista e apresentadora da TV Cultura Joyce Ribeiro, além de infectologista, cardiologista, enfermeira e outros profissionais de saúde.

— Esse vídeo é algo que tem dito. Queremos sensibilizar a comunidade internacional. Sabemos que existe uma corrida global por vacinas, mas nossa situação é tão assustadora que valeria aos outros países, em termos de saúde global, ajudar aqui — afirma Hallal, citando que com o descontrole da pandemia, o país virou uma “fábrica de variantes”.

Segundo o epidemiologista, o principal objetivo do vídeo é conseguir vacinas. Mas também há intenção de que haja uma pressão internacional por um lockdown no país e ajuda humanitária para combater a fome.

O vídeo faz um “apelo de médicos, profissionais de saúde, artistas, esportistas e da população do Brasil em geral”. Especialistas lembram que uma em cada três mortes no mundo acontece no país e diz que precisa de vacinas.

“O país que te fez feliz no passado com sua música, cultura e futebol agora precisa de ajuda e solidariedade de cidadãos e líderes do mundo”, afirma o locutor, em inglês, acrescentando que a “explosão de variantes pode tornar as vacinas menos eficazes’. Há ainda um pedido de ajuda econômica para evitar a fome.

Um dos criadores do grupo Unidos pela Saúde contra o Colapso, o empresário Eduardo Corrêa da Silva, que tem uma empresa que organiza congressos médicos, diz que movimento foi criado para trazer informações com base na ciência, combater fake news e negacionismo.

— Infelizmente a gente precisa de ajuda. Diferentemente de uma pessoa que faz alpinismo sem proteção e assume o risco sozinho, quem nega a pandemia coloca não só a vida dela em risco, mas a dos outros também. A ideia é que cada um do grupo mande para pessoas que podem influenciar seus líderes, especialmente no exterior — diz Silva.

Segundo ele, o vídeo foi enviado para jornalistas dos principais veículos de imprensa internacionais, assim como muitas pessoas da classe médica. Só um dos membros do Unidos contra o Colapso foi capaz de enviar o apelo a mais de 6 mil profissionais de saúde estrangeiros.