Vídeo mostra últimos momentos de criança com síndrome de Down vítima de ataque russo na Ucrânia

Uma das imagens mais impactantes feitas após o ataque russo à cidade ucraniana de Vinnytsia, no Centro-Oeste do país, é a que mostra um carrinho de bebê revirado do lado de fora de uma das construções atingidas pelos mísseis. Ele pertencia a uma garota de apenas quatro anos, chamada Liza, uma das três crianças mortas na operação — que tirou a vida de outras 20 pessoas.

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Um vídeo compartilhado pelo portal Nexta mostra a menina, que tem síndrome de Down, junto da mãe, Irina Dmitrieva, durante um passeio, pouco antes de serem alvos do ataque. A mulher ficou gravemente ferida e está internada em um hospital local, enquanto a filha dela morreu.

Irina havia postado o registro em suas redes sociais, feito durante um dia ensolarado do verão europeu, em que a pequena Liza passeava sorrindo, empurrando sua cadeira à frente da mãe, enquanto conversavam sobre ir ver sua fonoaudióloga.

“Liza era muito alegre, ela adorava vir até nós. Ela era uma criança muito gentil. Para sua mãe, ela era todo o sentido de sua vida. Ela a amava loucamente. Eu não posso nem imaginar a tragédia que é para a família", disse Valeriia Korol, em entrevista à BBC.

Korol é responsável pelo centro LogoClub para crianças com necessidades especiais, onde Liza participou de uma sessão, pouco antes do ataque, como fazia algumas vezes por semana. A conta do Instagram da mãe é repleta de fotos da vida da menina, com postagens feitas desde o nascimento de sua única filha.

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O LogoClub, para onde Liza ia regularmente, fica a apenas um quarteirão da Praça da Vitória, local atingido pelos mísseis. A equipe levou todas as crianças do local para o abrigo quando a sirene do ataque aéreo soou. Mas, como muitas outras pessoas, Liza e sua mãe ainda estavam na rua e foram atingida. No início da guerra, elas voltaram de Kiev para Vinnytsia por segurança, porque a cidade, na ocasião, ficava longe das linhas de frente do conflito.

Ataque em região distante do conflito

Mísseis de cruzeiro russos foram lançados na última quinta-feira na região, que, no entanto, está distante das frentes de batalha no Leste, segundo o chefe da Polícia Nacional da Ucrânia, Ihor Klymenko. Há, ainda, 42 desaparecidos, de acordo com o Serviço de Emergência do Estado (SES). Outras 64 pessoas, incluindo quatro crianças, foram hospitalizadas — destas, 34 estão em estado grave e cinco em situação crítica, informou o SES.

O ataque foi perpetrado com mísseis de cruzeiro Kalibr russos lançados de submarinos no Mar Negro, de acordo com Kyrylo Tymoshenko, vice-chefe do Gabinete do presidente da Ucrânia.

Mais de 50 prédios e 40 carros ficaram danificados pelos ataques, disse Klymenko. Vídeos divulgados pela agência mostraram fumaça saindo de vários andares de prédios e equipes de bombeiros jogando água nas carcaças fumegantes de veículos atingidos por um incêndio após os ataques.

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O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, condenou o ataque. “Todos os dias, a Rússia destrói a população civil, mata crianças ucranianas, lança foguetes contra objetos civis”, disse em uma mensagem no Telegram. “O que é isso, senão um ato aberto de terrorismo?”

Em um comunicado, o secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou os ataques e pediu que os responsáveis prestem contas. Ele disse estar “aterrorizado com o ataque com mísseis contra a cidade de Vinnytsia [...] O secretário-geral condena qualquer ataque contra civis e infraestruturas civis, e reitera seu apelo à prestação de contas por essas violações”, escreveu na nota o porta-voz Stephane Dujarric. A União Europeia chamou o ataque russo de “atrocidade”.

“A União Europeia condena, nos mais duros termos, os ataques contínuos e indiscriminados contra alvos civis, incluídos hospitais, instalações médicas, escolas e refúgios”, escreveu o bloco em comunicado.

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