Vídeo mostra atropelamento de estudante por modelo Bruno Krupp no Rio

Imagens obtidas com exclusividade pelo GLOBO mostram o momento em que a moto pilotada pelo modelo Bruno Fernandes Moreira Krupp, de 25 anos, atropela o estudante João Gabriel Cardim Guimarães, de 16, na orla da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, na noite do último sábado, dia 30. O vídeo de uma câmera de segurança exibe que o acidente aconteceu quando a vítima, acompanhada da mãe, a assessora jurídica Mariana Cardim de Lima, caminhava a poucos passos do calçadão da praia. A vítima morreu horas após dar entrada no Hospital Lourenço Jorge e o rapaz está preso preventivamente pelo crime no Hospital Marcos Moraes.

Na gravação, é possível ver João Gabriel e Mariana atravessarem a pista da Avenida Lúcio Costa, na altura do Posto 3, a cerca de 20 metros da faixa de pedestres. Os dois haviam participado da comemoração de um aniversário da família em um salão de festas próximo e resolveram ir até a praia antes de retornar para casa, em Realengo, na Zona Norte.

De acordo com as investigações da 16a DP (Barra da Tijuca), Bruno estaria em alta velocidade no momento do acidente. Na delegacia, uma das testemunhas afirmou que ele dirigia a pelo menos 150 quilômetros por hora, acima dos 60 quilômetros por hora permitidos na via. Em entrevista ao GLOBO, seu pai, o gerente de gases industriais José Darcy Krupp Filho, afirmou que ele pilotava a aproximadamente 100 quilômetros por hora, mas ainda aguarda a perícia da Polícia Civil no veículo.

— Meu filho acredita que dirigia a aproximadamente 100 quilômetros por hora, quando a vítima saiu atravessou para o meio da rua, fora da faixa de pedestres, e voltou, sendo a batida inevitável. Mas posso garantir que em momento algum ele se furtou a responder pelos seus atos, não fugindo do local nem se esquivando de prestar qualquer tipo de esclarecimento. No momento, ele se encontra hospitalizado, com suspeita de uma fratura em duas vértebras. Infelizmente, aconteceu um acidente, uma fatalidade. Nos solidarizamos a dor da família e estamos à inteira disposição para ajudar no que for necessário — disse.

De acordo com o pai do modelo, Bruno havia saído de casa, um flat na orla da Barra, para jantar com a namorada, em um restaurante na Rua Olegário Maciel, no mesmo bairro. O gerente de gases industriais nega que o filho tenha ingerido bebida alcoólica. Assim como João Gabriel, ele foi levado em uma ambulância do Corpo de Bombeiros ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, mas só foi informado do falecimento do estudante pelos familiares no dia seguinte, devido a um quadro de depressão que já apresentava.

O advogado Willian Pena, que o representa, admitiu que o modelo estava acima da velocidade permitida na Avenida Lúcio Costa, mas afirmou que a vítima “subitamente” surgiu na via, atravessando fora da faixa de pedestres. Ele deverá entrar com um habeas corpus para revogação da prisão preventiva:

— Ele disse que, segundos após dar uma arrancada com a moto, houve o choque. Mas o velocímetro ainda será avaliado pela perícia. Além disso, confirmou ter tirado a Carteira Nacional de Habilitação há cerca de 15 dias e que o veículo estava emplacado até o momento do acidente, quando a placa caiu. É importante frisar também que não houve dolo de matar e os eventos anteriores não são antecedentes lógicos do resultado final. Além disso, não há o que se falar em garantia da ordem pública justamente porque, em uma cidade com violência grave, um atropelamento não teria o condão de causar intranquilidade na sociedade.

Nessa manhã, Bruno Krupp foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Marcos Moraes, no Méier, na Zona Norte do Rio. Embora a equipe médica da unidade de saúde já tivesse emitido parecer liberando o rapaz para ser levado ao sistema prisional por apresentar quadro estável, um profissional contratado pela família dele como assistente, e, portanto, responsável pelo tratamento, alegou possíveis problemas nos rins do jovem e a possível necessidade de sessões de hemodiálise.

Na última terça-feira, o modelo recebeu agentes da 16ª DP para cumprirem o mandado de prisão preventiva decretada juíza Maria Isabel Pena Pieranti, do plantão judicial do Tribunal de Justiça do Rio. Na decisão, a magistrada, afirma que o rapaz “não é um novato nas sendas do crime” e que sua liberdade “comprometeria a ordem pública, sendo a sua constrição imprescindível para evitar o cometimento de crimes de idêntica natureza, podendo-se dizer que a medida visa também resguardar a sociedade de condutas que ele possa vir a praticar”. O despacho ainda menciona que ele já foi parado por agentes da Lei Seca três dias antes do acidente, mas a blitz acabou por não ter o efeito didático.

No pedido de prisão, o delegado Aloysio Berardo Falcão de Paula Lopes, adjunto da 16ª DP, afirma que o Relatório de Vida Pregressa do modelo demonstra outras passagens policiais por estupro e estelionato, “razão pela qual se faz necessária sua segregação cautelar, por meio de expedição de mando de prisão preventiva, visando garantir a ordem”. Além disso, ele cita que, ao ser parado pela Lei Seca, Bruno estava sem habilitação, com a mesma moto sem placa e, mais, recusando-se a fazer teste do bafômetro.

Bruno era investigado por lesão corporal culposa provocada por atropelamento e falta de habilitação e proibição de dirigir veículo automotor, mas o registro da 16ª DP foi aditado para homicídio, uma vez que a vítima morreu após dar entrada no Hospital Municipal Lourenço Jorge.

“(…) tenho que a liberdade do Indiciado compromete sobremaneira a ordem pública, sendo a sua constrição imprescindível para evitar o cometimento de crimes de idêntica natureza, podendo-se dizer que a medida ora decretada visa, também, resguardar a sociedade de condutas outras análogas que o Representado possa vir a praticar. A situação por ele vivida três dias antes, ao ser parado em uma blitz, não foi suficiente para alertar-lhe dos riscos de direção perigosa e em contrariedade ao que dispõe a lei e o bom-senso. Em outras palavras: não foi o bastante que tivesse sido parado pelos agentes da Lei Seca. Ser pego na situação já descrita não teve qualquer efeito didático. Ao contrário, adotou conduta mais ainda letal, acabando por tirar a vida de um jovem que estava acompanhado de sua mãe, ressaltando-se que Bruno não é um novato nas sendas do crime”, escreveu a juíza.

Horas após o acidente, o delegado Paulo Roberto Mendes Junior, de plantão na 16ª DP, determinou, com a morte de João Gabriel, a remoção do seu cadáver do hospital para o Instituto Médico-Legal (IML), para a realização do exame da necropsia. O corpo do estudante foi sepultado nesta segunda-feira, no Cemitério de Irajá, na Zona Norte da cidade, em uma cerimônia que reuniu mais de 100 pessoas, entre as quais colegas de escola e professores.

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